Interpretar o mundo e aprender como se manifestar nele. Por meio de
várias expressões da arte os adolescentes em regime provisório e
internos da Fundação Casa (Centro de Apoio Socioeducativo ao
Adolescente) Rio Piracicaba desenvolvem habilidades que os ajudam a
compreender e dialogar com a sociedade, amigos, família e,
principalmente, consigo mesmos, apesar da reclusão. O Jornal de Piracicaba
foi até o local conhecer o trabalho de dois professores, Tony Azevedo e
Fernanda Barletta. Aos poucos eles, conjuntamente com o corpo de
profissionais do local, conseguem fazê-los enxergar seus próprios
talentos e ter uma nova perspectiva de vida. “Quando a gente mostra que
aquilo que eles produzem é realmente muito bom, eles se sentem
valorizados e isso é imprescindível para que repensem seu lugar no
mundo”, afirmou Fernanda. Neste sentido, Azevedo, além de promover
exposições, com os trabalhos dos adolescentes, planeja para este ano uma
mostra interna das obras.
Receberam a reportagem do JP o diretor da unidade Flagas
Rodrigues Lopes e a supervisora técnica da região Campinas, Adriana
Zoccal Avati. Os dois destacaram a importância das aulas artísticas para
os adolescentes. “Buscamos desenvolver com eles um trabalho que parte
das demandas que eles nos trazem. Ou seja, a partir de assuntos que eles
nos falam é que trabalhos temas e promovemos algumas discussões e
atividades educacionais”, explicou Lopes. Para Adriana, o tempo em que
estão na fundação é importante para que se encontrem.
Flagas Lopes Diretor da Unidade
“Toda vez que eles se dedicam a um trabalho eles têm a oportunidade de fazer isso”, disse. Na opinião de Azevedo, estar com os jovens do local também o enriquece como artista. “Não é por acaso que estou há quase cinco anos com as oficinas. Aqui tenho todo o suporte e materiais necessários para desenvolver os projetos, que tem um começo, meio e fim. Além disso, consigo apresentar para eles minha visão sobre arte e levantar reflexões sobre diversos assuntos”, destacou.
ARTISTAS - A unidade piracicabana conta com 64 adolescentes, entre 14 e 17 anos. Alguns deles cumprem penas, outros aguardam decisão do juizado sobre seus futuros. A reportagem criou uma dinâmica para preservar o nome dos adolescentes, que escolheram seus nomes fictício, abusando da criatividade: Belarmino Jakson Pires e Rodolfo Chuk Jonas. “É um momento que eu fico pensativo no desenho”, afirmou Pires. Ele contou que gosta de trabalhar com paisagens e inventar desenhos. Também relatou que o interessante nas aulas é que em cada uma delas aprendem coisas diferentes “como a relação de profundidade, claro e escuro, texturas e muitos outros”, pontuou.
Jornal de Piracicaba
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