Mutirão já liberou pelo menos 10 adolescentes por falta de espaço.
Alas foram interditadas e diminuiu número de vagas no Centro Socioeducativo.
Adolescentes vivem em condições precárias e insalubres (Foto: Ministério Público Estadual (MPE))Os adolescentes, lotados na ala de internação definitiva, começaram a ser liberados na semana passada, quando começou o mutirão. A situação na unidade se agravou após a interdição do prédio, segundo o promotor José Antônio Borges, da Vara da Infância e Juventude de Cuiabá. "Quanto tem uma briga, os meninos ficam isolados nessa parte que foi interditada pela Justiça. O local está com as paredes ruindo, infiltrações e mofo", afirmou.
Para o promotor, o sistema socioeducativo entrou em 'colapso', já que a unidade socioeducativa não pode mais abrigar adolescentes já condenados pela Justiça depois dessa interdição. "Com as alas interditadas, diminuíram as vagas. Antes, a ala chegou a ter 200 adolescentes, mas agora só cabe 60. Não podemos mais receber adolescentes do interior, que continuam nas ruas por conta disso", disse o promotor, ao lamentar a falta de investimentos no sistema socioeducativo.
Condições de banheiro é degradante(Foto: Ministério Público Estadual (MPE))
Antes da liberação, os adolescentes passam por um processo de seleção, analisando o grau de risco que cada um representa à sociedade. Um dos critérios levados em consideração é o fato de ter acima de 18 anos, já que os jovens podem ficar no local até os 21 anos. Além disso, é analisado o crime cometido. "Se cometeu um assalto, por exemplo, não provocou nenhuma lesão à vítima, apesar de ser crime, é menos grave que os casos de latrocínio, homicídio e estupro", comentou José Antônio Borges.
A estrutura da unidade possui 30 anos e, depois disso, nenhum novo prédio para abrigar menores infratores foi construído. Na primeira decisão determinando a primeira interdição, a juíza Gleide Bispo dos Santos considerou a situação do local, além de precária, "desprezível e inaceitável", submetendo os menores a um tratamento desumano que vai contra os princípios estabelecidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Um Complexo Educativo começou a ser construído em Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá, porém, a obra está parada. A construtora, que tinha vencido a licitação, faliu e abandonou a obra, localizada no Bairro Jardim Glória 2. Pelo projeto, a unidade terá capacidade para abrigar 44 meninos e meninas.
A Secretaria de Justiça e Direitos Humanos do Estado (Sejudh) alegou que irá convocar a segunda colocada no processo licitatório para executar a obra.
http://g1.globo.com/mato-grosso/noticia/2013/09/menores-infratores-sao-soltos-por-superlotacao-em-unidade-em-cuiaba.html
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