segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Agentes vendiam privilégios e produtos a presos de ALAGOAS a preço tabelado

A Polícia Civil (PC) apresentou na tarde desta segunda-feira (12), na sede da Delegacia Geral, o esquema de corrupção operado por agentes penitenciários dentro do presídio Baldomero Cavalcanti, em Maceió. O grupo, que já vinha sendo investigado há três meses, facilitava a entrada de aparelhos celulares, armas, medicamentos proibidos e drogas, além de conceder outros privilégios a presos da unidade.


Tabela de preços dos produtos negociados pelos agentes penitenciários

A operação, ocorrida durante esse final de semana, resultou na prisão em flagrante de três agentes penitenciários: Bruno Luciano Billiano, de 30 anos, Alexander Calheiros, de 38 anos, e Amaizaidan Correia da Silva, 32 anos, interceptados pelo policiais civis quando chegavam ao Baldomero para trabalhar. Na tabela de preços dos produtos, uma serra de metal custava R$ 250; um chip de celular - que no comércio custa cerca de R$ 10 - valia R$ 50; e uma caneta simples chegava a valer R$ 15, quase 20 vezes mais cara que seu valor de mercado. Aparelhos celulares custavam R$ 450 e por 1 grama de drogas como maconha e cocaína era cobrado R$ 10. Segundo a diretora da Divisão Especial de Investigações e Capturas (Deic) da PC, delegada Ana Luiza Nogueira, a quadrilha estava tão articulada que possuía até uma tabela de preços com códigos que significavam drogas e outros produtos, como "chocolate" - maconha prensada - e "corações", que representava chips para aparelhos celulares. “Esses agentes não só repassavam esse materiais, mas também facilitavam vários privilégios, como mudanças de módulos e entradas de outras substâncias, tal como medicamentos proibidos pela Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária]”, revelou a delegada. Nogueira disse que existia um esquema articulado para que o dinheiro da venda das mercadorias fosse pago: muitas vezes o valor era recebido pelo próprio agente ou era pago por parentes de detentos a terceiros, em espécie ou através de depósito em conta. A Operação Alcatraz também resultou na prisão de Antônio Santiago de Campos, 59 anos, Luciana da Silva Alves, 36 anos, e Joselina Maria da Silva, a “Tatá”, de 26 anos, que tem ligação com uma quadrilha que praticou vários crimes como assaltos a residências, postos de combustíveis e bancos nos municípios de Arapiraca, São Miguel dos Campos e Maceió. Alguns membros do bando ainda estão sendo procurados pela polícia. Os agentes penitenciários e as outras três pessoas serão indiciadas por corrupção passiva, tráfico de drogas, roubo majorado, porte ilegal de arma de fogo, formação de quadrilha e facilitação de entrada de aparelho telefônico em estabelecimento prisional. Os agentes estão recolhidos ao sistema prisional em módulo separado dos outros presos.

http://tnh1.ne10.uol.com.br/noticia/policia/2012/11/12/215925/agentes-que-vendiam-privilegios-e-produtos-a-presos-de-al-tinham-tabela-de-precos-exorbitantes

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