
São Paulo – De cada dez homicídios esclarecidos pela polícia no ano passado, ao menos um foi cometido por um jovem com menos de 18 anos no Brasil. É o que revelam dados do 9º Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Só no Pará, 405 pessoas foram mortas por adolescentes no ano passado.
Os números colocam um pouco mais de lenha na fogueira do debate sobre a redução da maioridade penal (de 18 para 16 anos) nos casos de crimes hediondos, como homicídio doloso e lesão corporal seguida de morte.
Em agosto, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que versa sobre o tema foi aprovada pelo plenário da Câmara dos Deputados, depois de tramitar 22 anos na Casa. No momento, o tema aguarda a decisão do Senado.
Entre 2013 e 2014, o número de crimes cometidos por adolescentes subiu mais de 10% no Brasil, segundo dados do Anuário de Segurança Pública divulgados recentemente. No total, foram quase 24 mil infrações cometidas por jovens com idade entre 12 e 17 anos.
E, ao que tudo indica, uma parte considerável da população apoia a decisão. Segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha, cerca de 9 em cada 10 brasileiros são favoráveis à redução da maioridade penal – apenas 11% são contra.
Mais de 23 mil adolescentes punidos em 1 ano
Em 2013, mas de 23 mil adolescentes cumpriam medidas socioeducativas privativas de liberdade no Brasil.
Para entender a dimensão do problema, em um período de 17 anos, o crescimento dos que cumpriram esse tipo de medida foi superior a 440%.
E não para por aí. Segundo estimativas do Fórum de Segurança Pública, se esse ritmo for mantido, em 2030 serão 62 mil cumprindo pena socioeducativa.
O Acre é o que mais restringe a liberdade de adolescentes infratores
Em 2013, a cada 100 mil adolescentes entre 12 e 17 anos, 111,3 foram internados em todo o país.
Entre as 27 unidades federativas do Brasil, o Acre é quem encabeça a primeira posição – 396,9 adolescentes internados a cada grupo de 100 mil.
Já em números absolutos, São Paulo é o estado com o maior número de indivíduos nessa situação – são 9,3 mil, ou 40% do total do país.
Veja o ranking por taxa:

Roubo é o ato infracional mais praticado
Em 2013, foram 23,9 mil crimes cometidos de roubo, tráfico, homicídio, furto, latrocínio, estupro, lesão corporal, busca e apreensão, ameaça de morte, receptação, formação de quadrilha, dano, atentado violento ao puder, sequestro e cárcere privado e estelionato foram registradas no Brasil – um crescimento superior a 10% no período de um ano.
Entre todos os crimes cometidos por adolescentes, roubo é quem predomina com 42% dos atos infracionais. Em seguida, tráfico de drogas (24,8%) e homicídio (9,2%).

São Paulo é o estado onde mais adolescentes cometeram estupros
Os casos de estupro ficaram em 10º na lista de crimes mais cometidos por adolescentes em 2013, quando foram registrados 288 casos. Só em São Paulo foram 50 ocorrências. Logo atrás está Pernambuco, com 42 registros e a Bahia com 27.
Estados | Número de ocorrências de estupro |
---|---|
São Paulo | 50 |
Pernambuco | 42 |
Bahia | 27 |
Rio Grande do Sul | 22 |
Rio de Janeiro | 14 |
O segundo ato ilegal predominante no país, tráfico de drogas, aparece em grande maioria no estado de São Paulo, com 3,7 mil infrações.
Veja, na tabela, os estados onde há mais casos por tráfico de drogas.
Estados | Número de ocorrências por tráfico de drogas |
---|---|
São Paulo | 3772 |
Rio de Janeiro | 479 |
Pernambuco | 427 |
Minas Gerais | 242 |
Paraná | 240 |
Pará é o estado brasileiro em que mais adolescentes mataram
De todos os 17,8 mil casos de homicídios esclarecidos pela polícia em 2014, quase 11% foram cometidos por pessoas entre 12 e 17 anos.
Sobre essa perspectiva, o Pará é estado brasileiro onde mais adolescentes são autores desse tipo de crime – com 17,1% das ocorrências registradas. Em seguida está o Paraná, com 15,8% dos homicídios.
Já quem carrega a última posição é Goiás. Foram 41 registros - o equivalente a 1,6% em relação ao total de crimes cometidos no estado.
*Amapá, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Piauí, Rio de Janeiro, Roraima, São Paulo e Tocantins não forneceream os dados
Esse de Goiás a revista Exame poderia contestar, pois, 1,6% do total dos crimes cometidos no Estado é diferente de 1,6% dos crimes esclarecidos, cuidado com esses números tendenciosos que os contra a redução usam.
ResponderExcluir