sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Ex-infratores retomam vida produtiva ao deixar Fundação Casa em S. José dos campos

Cumprindo medida socioeducativa na unidade, eles voltaram a estudar.
Um deles trabalha em escritório e o outro abriu a própria empresa.

Mudar de vida depois do crime é difícil para grande parte de ex-internos da Fundação Casa, mas em São José dos Campos (SP), dois jovens usaram a oportunidade que tiveram durante o cumprimento da medida sócio-educativa para retomar a vida após deixar a unidade.

Lucas Rebouças dos Santos, 18 anos, e Juan da Silva Pereira, 19 anos, cumpriam pena por crimes como tráfico de drogas e assalto a mão armada quando se conheceram na Fundação Casa. Foi lá que voltaram a estudar e decidiram retomar uma vida mais produtiva depois de soltos e ajudar outros jovens internos no futuro.

Internos têm cursos dentro da unidade em São José. (Foto: Reprodução/TV Vanguarda)
Internos têm cursos dentro da unidade em São
José. (Foto: Reprodução/TV Vanguarda)
Agora assistente administrativo, Lucas divide o tempo entre o trabalho e os compromissos com a igreja evangélica que frequenta. "Trabalho das 8h às 16h30, com um horário de almoço de meia hora, depois às 18h tenho o projeto da igreja. A gente evangeliza e vende balas para o projeto. Tem uns dias da semana que a gente tem reunião até as duas da manhã na igreja", conta ele.

Já Juan da Silva Pereira tem uma rotina diferente. Ele abriu uma microempresa e coordena uma equipe que presta serviços de manutenção. "São cinco funcionários que executam os serviços prediais, como pintura, manutenção elétrica e outros. Eu encaminho os serviços que têm para serem feitos e já vou atrás de outros serviços", diz.

Oportunidade

A psicóloga da Fundação Casa, Renata Andrade, explica que todos os 115 adolescentes da unidade de São José dos Campos têm oportunidade de estudar e fazer capacitação profissional, porém, nem todos manifestam interesse. “Os cursos são oferecidos juntamente com o Centro Paula Souza, buscando uma educação básica profissional, mostrar um pouco do que aquela profissão tem a oferecer, dar um instrumental para o adolescente. Quem quer buscar, vai buscar mais, como qualquer outro adolescente”, explica Renata.

“A gente busca inserir todos na escolaridade formal, porque todos vêm com muita defasagem, então esse é o primeiro incentivo que nós damos. Depois, é oferecer cursos de arte, cultura e educação básica profissional para auxiliá-los no retorno ao convívio em sociedade”, completa a psicóloga.
Os jovens garantem que agarrar a oportunidade de voltar estudar e fazer cursos profissionalizantes valeu a pena, mas eles querem mais, sonham com um futuro melhor, mais produtivo. Juan quer ajudar jovens em recuperação oferecendo oportunidade de emprego. “Agora eu tenho a felicidade, sou feliz. Quero estar com uma empresa maior no meu futuro, abrir um projeto para estar capacitando jovens para trabalhar comigo”, anseia Juan.

Lucas, que ficou preso durante um ano de sua adolescência, quer recuperar o tempo perdido ajudando adolescentes internos a se recuperarem.  “Eu me considero hoje uma pessoa diferente, uma pessoa melhor, tenho muito a mudar ainda, mas já mudei bastante. Quero dar continuidade, fazer uma faculdade para conseguir trabalhar na Fundação Casa. Esse é o meu desafio, quero voltar para a unidade para ajudar as pessoas que estão lá dentro”, diz Lucas.

O auxiliar administrativo quer ajudar adolescentes a se recuperarem em São José dos Campos. (Foto: Reprodução/TV Vanguarda)
O auxiliar administrativo quer ajudar adolescentes a se recuperaremem São José dos Campos. (Foto: Reprodução/TV Vanguarda)

Um comentário:

  1. O numero de internos que voltam ao crime é tão grande, que quando um sai do crime vira até matéria de jornais.

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