TIAGO DANTAS - O Estado de S.Paulo
O Estado estuda desativar o Cadeião de Pinheiros e transferir para outro lugar a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) como forma de abrir espaço para um plano de revitalização das margens dos Rios Pinheiros e Tietê. Nas próximas semanas, o governo espera uma resposta do Banco Mundial para começar a detalhar os projetos.
O plano está sendo desenvolvido desde abril pelo Comitê de Requalificação Urbana e Social das Marginais, ligado à Secretaria da Casa Civil, e tem o apoio da iniciativa privada por meio do Movimento Brasil Competitivo. O protocolo de intenções entre as partes foi assinado em 15 de abril no Palácio dos Bandeirantes.
A mudança da Ceagesp é pleiteada há alguns anos, mas enfrenta resistência de comerciantes e clientes. A área pertence ao governo federal e abriga a maior central de abastecimento da América Latina, por onde circulam cerca de 50 mil pessoas diariamente. A retirada do cadeião, por sua vez, depende da construção de quatro ou mais Centros de Detenção Provisória (CDPs) no Estado para abrigar os presos do local - atualmente, são 6.140.
Ciclovia. As diretrizes iniciais do comitê preveem a construção de uma ciclovia e uma trilha de caminhada de 50 quilômetros de extensão ligando a Represa Billings, na zona sul, à Barragem da Penha, na leste, acompanhando os Rios Pinheiros e Tietê. Ao longo das ciclovias, estão previstos pontos de empréstimo e estacionamento de bicicletas, além de "bicitáxis".
Uma rede de corredores verdes integraria esse novo parque das margens dos rios com os Parques da Juventude, na zona norte, da Aclimação, na região central, e do Ibirapuera, na zona sul.
O primeiro passo para a requalificação é a construção de uma ciclopassarela ligando o Parque Villa-Lobos à Cidade Universitária e à ciclovia da Marginal do Pinheiros e a derrubada do muro do câmpus da Universidade de São Paulo na zona oeste. A ciclopassarela foi anunciada em dezembro, com previsão de entrega no primeiro semestre de 2014.
Outra diretriz prevista no Plano de Requalificação é a limpeza dos rios, o que pode permitir sua navegação. Para isso, as intervenções devem começar a ser feitas em cidades do leste da Grande São Paulo já neste ano. O grupo ainda estuda modelos econômicos capazes de viabilizar os custos do projeto.
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