Nesta quarta, 06/03/13, o Conselho Municipal de Direitos da Criança e
do Adolescente recebeu a visita de três técnicas da Fundação Casa de
Caraguatatuba. O agendamento se deu durante o Seminário de
Fortalecimento do SGDCA – Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e
do Adolescente promovido pela Defensoria Pública Estadual – Seção
Regional de Taubaté.
Daniela Vaz e Silvyane Luanda Prates
informaram que a Unidade de Caraguatatuba tem capacidade para 56
adolescentes, mas em algumas ocasiões de extrema necessidade chega a
atender 64. Atende o Litoral Norte e o Vale do Paraíba.
O motivo
da visita é o fato do aumento do número de internos de Ubatuba,
especialmente de determinados bairros, cerca de 20% do total, e, dos
juízes de Ubatuba estarem optando pela internação sem esgotarem as
outras medidas, quando o ECA propõe que a internação seja o último
recurso. O Sr. Cícero retrucou observando que o número de 8 internos é
baixo. Mas várias pessoas contra-argumentaram que não é baixo devido às
repercussões na sociedade e é necessário prevenir para que haja
controle. Também consideram que o fato do limite de 45 dias para
internação provisória não estar sendo respeitado pelos juízes, e o fato
do pouco contato com as famílias devido às dificuldades econômicas para
locomoção contribuem para a agressividade dos internos e rebeliões.
Segundo Silvyane, o Estado disponibiliza apenas R$ 500,00/mensais para
condução dos familiares. O Presidente do CMDCA ponderou que a atitude
dos juízes em optar pela internação e pela extensão do tempo de
internação é proposital e decorre da constatação de falta de condições e
de ofertas que contemplem as medidas socioeducativas em meio aberto.
Também revela a falta de investimento em prevenção pois há poucas
entidades e estas lutam para sobreviver, com fila de espera para
atendimento. Essa situação vem se prolongando por várias décadas.
Segundo Silviane, quando indagados sobre as motivações dos atos
infracionais, os adolescentes apontam a falta de perspectivas de vida,
de lazer e de emprego. O Sr. Antonio Carlos Lazzarini, do Projeto Semear
Cre, relatou a dificuldade de manter uma comunidade terapêutica,
adequando-se às exigências legais extremamente severas, quando o próprio
Estado não oferece alternativas para tratamento de dependentes
químicos. Outra pessoa também relatou o caso de uma denúncia e vistoria
em que foi constatado o tráfico de cerca de 15 adolescentes de Minas
para trabalharem em Ubatuba, com indícios de conivência da família. Em
seguida, as representantes da Fundação Casa agradeceram pelo espaço na
reunião e se colocaram à disposição para agendamento de uma visita do
CMDCA à instituição.
http://www.ubaweb.com/revista/g_mascara.php?grc=43368
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