A Rebelião
Este é um dos acontecimentos limítrofes com o qual o agente é obrigado a lidar: a rebelião. Esta situação provocada, organizada, planejada e executada pelos menores expõe todos os agentes a uma condição de risco extremo de serem feitos reféns, de agressões violentas e de morte.
TRAUMAS
Além destes riscos, os trabalhadores, após terem vivenciado uma rebelião, possivelmente apresentarão, em um primeiro plano, sintomas de estresse pós-traumático e em outros planos poderão sofrer sérias mudanças na sua postura profissional, bem como implicações sobre continuar ou não trabalhando .
Como surge então uma rebelião? Quais fatores ou condições propiciam a sua eclosão? Quais os seus objetivos?
Segundo os próprios agentes, a rebelião, tem diferentes nuances e facetas. É sem dúvida uma situação extrema, quando as formas de controle objetiva e subjetiva já não encontram continência e nem tampouco surtem efeito: O jeito é “virar a casa”, ou seja, tomar o controle, desorganizar, destruir, queimar, extrapolar todas as barreiras, mesmo que o preço seja a própria vida.
Apesar desta desorganização e destruição, em geral elas têm objetivos bem definidos: rebeliões são organizadas para disputa de grupos rivais; para agredir os funcionários (para “zuar o funça”, na linguagem do menino), em geral bem definidos anteriormente em função da relação deste com os meninos e de sua postura no pátio; para dominar a casa ou para fugir.
Os agentes experientes identificam algumas situações e momentos
em que pode emergir uma rebelião.
A “casa desandada” , nas mãos dos meninos com a conivência do diretor “paga pau” "madeirão"
e de agentes sem uma postura firme, pode abrir precedentes para troca de favores, como levar celular, e até drogas para dentro das unidades, favorecer a ausência de rotina e a resistência a esta rotina por parte dos meninos.
Além disso, outros indícios são descritos como: o uso da “touca ninja” o “bater grade”
; o ficar cochichando em grupos; o cantar em grupo para dissimular o ruído da confecção de armas brancas ( Naifas“estiletes, highlander” etc); a retirada dos parafusos das trancas (usados para produção de armas), “além de um espírito de rebelião, uma tensão que é sentida no ar e a gota d’água que faz a coisa desandar”.
No entanto, apesar das providências tomadas e de se chamar o reforço, o “choquinho” nem sempre atende a solicitação de imediato e aí as conseqüências do atraso são as agressões, a destruição, as fugas etc.
E em várias ocasiões, exige-se do agente, em sua atividade de trabalho, o uso da violência para a contenção do menino.
Esta é uma questão séria e complexa, pois este mesmo agente do qual se exige uma postura de contenção, pode ser demitido por justa causa em função desta exigência após
o final da rebelião.
As rebeliões muitas vezes têm saldo bastante negativo, tanto para meninos como para agentes, sejam por agressões, acidentes de trabalho, óbitos etc.
Pode ocorrer também a culpabilização do funcionário e o afastamento de grande número de agentes de uma mesma unidade motivado por doença pós-rebelião, por demissões por justa causa ou por
demissão espontânea.
Os agentes são tomados por sentimentos e emoções contraditórias quando em situações de tumulto, agressões ou de rebeliões.
Pensando em termos da teoria do estresse, verifica-se claramente o estado de alerta que
é disparado a partir de um estímulo de perigo e as reações de fugir ou de lutar. (*1)
por isso intitulei está postagem "Profissão Perigo"
No decorrer deste tempo as coisas não mudaram, a não ser nos numeros (se é que mudou mesmo).
FEBEM um passado não muito distante !
coragem para enfrentar a policia ! e força para não ser capiturado !
40 funcionários Reféns, espancados, 3 em estado grave e um morto
Brincadeira de criança dentro da FEBEM (AINDA DIZEM QUE ELE NÃO DISSE NADA)
(*1) texto extraido do livro "Monitor da Febem" editado por Rones Marciel
também publicado no Funça News 17/12/2011
http://funcanews.blogspot.com.br/2011/12/rebeliao.html