Mostrando postagens com marcador A REBELIÂO. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador A REBELIÂO. Mostrar todas as postagens

domingo, 13 de abril de 2014

Menor infrator que ganhou cigarros por ordem de juíza revela que “armou” cena de rebelião

Internos cobram regalias e acabam sendo atendidos, mediante chantagens 

Adolescente confessa armação e cobra lazer, piscina e aula de música

O adolescente infrator de 17 anos que liderou uma “rebelião” na noite de segunda-feira (7) no Centro Socieducativo de Cuiabá, no Complexo do Pomeri, ameaçando matar um colega de cela com um chuço caso não recebesse cigarros, confessou que foi tudo uma armação. 

A juíza Gleide Bispo Santos, da 1ª Vara Especializada da Infância e Juventude da Capital, acreditou que fosse verdade e autorizou a entrada de um maço de cigarros. A decisão gerou polêmica pois a prática é proibida, inclusive pelo Estatuto da Criança e Adolescente (ECA). Em entrevista exclusiva ao repórter José Porto, do programa Cadeia Neles, jornalístico da TV Record Cuiabá, o infrator disse que não iria matar o “refém” e que o motim foi simulado somente para “reivindicar seus direitos de saúde e de lazer”.

“Armamos uma situação, sim senhor”, relata ele ao repórter quando questionado sobre a ocorrência que resultou no acionamento do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e da juíza Gleide Bispo.  O presidente do Sindicato dos Agentes do Sistema Socioeducativo de Mato Grosso (Sindpss), Paulo César de Souza, já tinha afirmado ao Gazeta Digital que o motim foi armado e que após conseguirem o cigarro ficaram tripudiando dos servidores, da juíza e dos policiais, o que fez o major do Bope ficar irritado e retirar a tropa dizendo "que aquilo tudo era um palhaçada”.

O fato gerou descontentamento entre os agentes do sistema encarregados pela guarda dos menores, que alegam que abrir concessões desse tipo para os infratores fragiliza o trabalho deles, pois pode estimular outros internos a fazerem cobranças por regalias que julgam ter direito, usando de chantagem e ameaças.

A entrevista foi gravada dentro do Centro Integrado de Segurança e Cidadania (Cisc), local onde o menor foi conduzido para confeccionar um boletim de ocorrência devido outra confusão que ele se envolveu no Pomeri, depois da falsa rebelião. A Sejudh disse que não vai se manifestar sobre o episódio e também não protocolou qualquer representação na Corregedoria do Tribunal de Justiça para investigar a conduta da juíza. O Tribunal de Justiça de Mato Grosso também disse que a magistrada prefere não se pronunciar sobre o ocorrido. Assista ao vídeo com a entrevista

http://www.paginaunica.com.br/TNX/conteudo.php?sid=179&cid=11790


VEJA O VIDEO DA ENTREVISTA COM O ADOLESCENTE INFRATOR
NO PROGRAMA "CADEIA NELES" DA TV RECORD DO MATO GROSSO





http://www.paginaunica.com.br/TNX/conteudo.php?sid=179&cid=11790

http://www.gazetadigital.com.br/conteudo/show/secao/9/materia/417756/t/adolescente-confessa-armacao-e-cobra-lazer-piscina-e-aula-de-musica

sábado, 12 de abril de 2014

Governo de São Paulo divulga apenas 3 em cada 10 rebeliões na Fundação Casa

Por Wanderley Preite Sobrinho e Beatriz Atihe - iG São Paulo | 12/04/2014 10:00 - Atualizada às 12/04/2014 10:07

Foram 29 rebeliões, 20 tumultos e 29 fugas em 2013. Dados oficiais registraram número menor: 8 rebeliões e 11 tumultos




O número de rebeliões e tumultos na Fundação Casa em todo o Estado de São Paulo em 2013 superou as estatísticas divulgadas oficialmente. 

Levantamento feito pelo iG revela que foram registrados 29 rebeliões, 20 tumultos e 29 fugas de menores entre janeiro e dezembro na antiga Febem. De acordo com os números oficiais, ocorreram apenas 8 rebeliões e 11 “princípio de tumultos” no ano passado.

Diretor adjunto da Conectas Direitos Humanos, Marcos Fuchs considera polêmica a divisão entre rebelião e tumulto. “É necessário estabelecer um critério para separar o que é tumulto e o que é rebelião. Acho importante que a administração da Fundação, os jornalistas e as entidades sejam avisados para que depois haja mais facilidade na contagem desses dados.”

A reportagem utilizou como base de dados as notícias divulgadas pela grande imprensa entre 1º de janeiro e 31 de dezembro do ano passado sob o título de tumultos ou rebeliões. Mesmo que as 21 rebeliões acima das estatísticas oficiais fossem convertidas em tumultos, estes chegariam a 41 ocorrências, número bem acima das 11 contabilizados pelo Estado.

Agente sócio educativo teve braço quebrado em "tumulto"
em uma unidade da Fundação Casa no início do mês
De acordo com a Fundação, o governo só considera rebelião quando a ocorrência envolve “todos ou quase todos os adolescentes de um Centro de Atendimento”. “Consideramos uma ocorrência como rebelião quando há reféns, fogo no Centro, agressão a funcionários ou entre adolescentes e grandes danos patrimoniais (Centro severamente danificado)”.

“O governo mudou a nomenclatura de rebelião para tumulto porque aí os números são facilmente manipulados”, acredita o agente sócio educativo Adriano Neiva, de 31 anos. “Temos casos de funcionários internados depois de tomar paulada, cadeirada, ferrada, mas o governo não registrou como rebelião só porque não pegou fogo na unidade. Isso acontece diariamente.”


Também responsável por cuidar dos menores, o agente Arnaldo Garcia (55) conta “pelo menos 20 tumultos no ano passado” só na unidade em que trabalhava, na Casa Ipê, na rodovia Raposo Taraves. Esses dados não foram contabilizados pela reportagem. “Quando fui agredido, tive fratura do osso da maxila e do assoalho da órbita do olho. Mas o pior são as consequência psicológicas.”

Ex-secretário nacional de segurança pública, o coronel José Vicente da Silva elogia a administração estadual, especialmente a distribuição dos menores em centros espalhados pelo Estado. “A medida evita superlotação e aproxima os menores infratores de suas famílias. Acredito ser uma boa decisão. É uma instituição que está sendo administrada com seriedade.”

Funcionário  teve a cabeça atingida após passar quase
 três horas como refén de menores rebelados 
O coronel diz, no entanto, que a falta de divisão dos menores por idade e grau de periculosidade em alguns centros, como relatam os agentes, acontece por uma série de questões: “falta de infraestrutura, de vagas e de desenvolvimento no desempenho dos conselhos tutelares (algumas cidades nem tem conselho tutelar), além da falta de preparo dos profissionais da Fundação Casa.”

A pior rebelião no ano passado aconteceu no dia 15 de julho, embora a Fundação tenha classificado de tumulto por não ter havido utilização de fogo. Na ocasião, 68 funcionários foram mantidos como reféns e dois menores morreram depois de 21 horas de distúrbios.

A rebelião começou quando uma visitante foi impedida de entrar por problemas na documentação. Indignado, o marido teria ameaçado matar alguém em sinal de protesto. Foi quando outros menores se juntaram ao motim.

Para Adriano Neiva, a razão para tantas ocorrências é a falta de agentes. “Hoje a média é de um para cada dez adolescentes. Como é possível conter tanta gente rebelada?”

Em relação à segurança dos funcionários, a Fundação afirmou à reportagem que "segue todas as diretrizes legais contidas principalmente no Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase), proporcionando capacitação constante dos servidores."

FONTE: SITE IG

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Menores usam regras do PCC na Fundação Casa

Adolescentes reproduzem hierarquia da facção criminosa e tomam controle das atividades diárias

 

 Orientados por membros do Primeiro Comando da Capital (PCC), menores infratores que cumprem medidas socioeducativas no Estado de São Paulo instauraram uma estrutura de funcionamento típica da facção criminosa em algumas das 148 unidades da Fundação Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente (Casa).

As internações onde esse sistema funciona são conhecidas como “cadeias dominadas”, já que estão sob controle dos menores. Isso significa que todas as ações do cotidiano no ambiente de internação são executadas pelos próprios adolescentes. Com isso, segundo funcionários da Fundação Casa ouvidos pelo iG, os menores têm cargos definidos por eles mesmos e decidem, inclusive, até onde os agentes de pátio podem fazer o monitoramento das unidades.

Para isso, os menores usam uma espécie de código de ética do PCC. O exemplo mais conhecido dessa prática é a “Reza do PCC”, como é chamado o ritual no qual os menores pedem proteção a Deus e repetem o lema da facção criminosa. De acordo com um agente que trabalha na instituição há pelo menos 5 anos e que prefere não se identificar com receio de represálias, as unidades que estariam nas mãos dos adolescentes atualmente são as dos complexo Raposo Tavares, Itaquera, Vila Maria, Franco da Rocha, Lins e Iaras.

“A Fundação Casa é totalmente maquiada. Existem poucas unidades que estão de acordo. Quando eles fazem a reza do PCC, nenhum servidor pode ficar próximo, tem que ficar fora do perímetro. Se ficarem para dentro da área determinada, os funcionários são colocados para fora”, explica um agente. Os jovens têm inclusive postos de liderança com nomes iguais ou semelhantes aos usados pelo PCC: setor da limpeza (o cargo mais baixo hierarquicamente), setor da boia, setor do esporte, faxina, disciplina, toque da cadeia e toque geral (o mais alto).

Essa influência não foi estabelecida de uma hora para outra. Divulgado neste ano, um estudo desenvolvido pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP), mostra que os menores escutam os “monstros”, como são chamados os integrantes do PCC, há algum tempo. Autor da pesquisa Cadeias dominadas: dinâmicas de uma instituição em trajetórias de jovens internos, o antropólogo Fábio Mallart atuou como educador cultural de fotografia em diversos complexos da Fundação Casa entre 2004 e 2009 e presenciou esse processo.

“Antes de tomarem decisões importantes como, por exemplo, de ‘ir pro arrebento’ (o mesmo que dar início a uma rebelião), as lideranças, sempre que possível, entram em contato com os ‘irmãos do Comando’. Apesar dos adolescentes seguirem as orientações transmitidas pelos integrantes do ‘Partido’, nota-se que tais internos não são filiados ao Primeiro Comando da Capital, isto é, não são ‘batizados’, portanto não são reconhecidos como ‘irmãos’”, explica Mallart no estudo.

Rotina
Uma “cadeia dominada” representa outras diferenças no cotidiano dos jovens, além da consulta sobre motins. Em algumas dessas unidades, mandamentos mínimos do regimento interno não são respeitados, como, por exemplo, o fechamento dos quartos depois das 22h. As luzes até são apagadas, mas os dormitórios ficam abertos, segundo agentes de medidas socioeducativas. Há ainda os servidores que reclamam da entrada de celulares na instituição e do cheiro de maconha que toma os ambientes.

Já a “disciplina do Comando”, como são conhecidas as regras passadas pela facção criminosa, orienta a conduta dos menores. Não se masturbar, não andar sem “coruja”, como é chamada a cueca, nem andar sem camiseta são as regras básicas para os dias de visita. Agora para manter a paz dos internos em dias comuns, os adolescentes não devem agredir o companheiro de “caminhada” e nem matar sem a permissão dos “irmãos”.

Essa disseminação dos códigos e da estrutura do PCC no sistema faz com que frequentemente, segundo fontes do iG, a Superintendência de Segurança e Disciplina (Supsed) tenha que acionar equipes para “tomar” o controle “da cadeia” dos adolescentes. Esta é uma das funções, por exemplo, da GSO (Gerência de Suporte Operacional).

Outra tática de resposta do governo do Estado é a de transferir internos identificados como líderes para outras unidades. O problema é que os adolescentes se reorganizam rapidamente, como explica Mallart na dissertação. “Os atores sociais transitam, apenas vão e vêm, os postos permanecem.” Isso faz com que esse processo de “tomada da casa” aconteça três ou quatro vezes em apenas um ano na mesma unidade.
A disputa pelo poder das instituições leva ainda a outra particularidade da Fundação Casa. É o caso das casas onde o controle é compartilhado. Esses ambientes de internação são chamados de “meio a meio”, porque há um equilíbrio de forças entre internos e servidores. “A gente finge que manda e eles fingem que obedecem”, resume um agente.

Status ou batismo
Apesar da influência do PCC no comportamento dos adolescentes da Fundação Casa, os diversos atores que têm contato constante com estes menores infratores divergem sobre o qual realmente é a ligação dos jovens com a facção criminosa. O promotor de Justiça Thales Cezar de Oliveira, da Vara da Infância e Juventude de São Paulo, acredita que os integrantes do grupo de fato “usem” os jovens que estão dentro da Fundação Casa, como denunciados por funcionários da instituição, mas vê essa ligação também como uma questão de status.

O promotor foi quem, inclusive, teve acesso a uma carta, cerca de dois anos atrás, que falava na existência de um "PCC Mirim" na Fundação Casa. Ele, no entanto, pensa que o episódio foi apenas uma forma isolada dos internos de dar nomenclatura a essa estrutura que contaminou o sistema socioeducativo em São Paulo. “Em um determinado momento virou questão de status aderir ao PCC. Isso faz com que eles se sintam mais perigosos, mais respeitados”, afirma Oliveira.

Já um agente de medidas socioeducativas, que convive com os menores diariamente, afirma que alguns passaram pelo tradicional batismo e são, sim, integrantes do PCC. “Realmente nós temos membros mirins do PCC. Nós temos informações que confirmam a participação desses jovens na facção. Eles acabam intimidando os servidores. Muitos são ameaçados e agredidos. Essa é uma das razões para 10% da categoria (de servidores) estar afastada das funções”, argumenta.

A crítica a atual gestão da Fundação Casa, por adotar medidas para menores infratores que reproduzem uma lógica de funcionamento parecida com a do sistema prisional adulto, é recorrente. Mallart lembra, por exemplo, que diversos funcionários que já haviam trabalhado na Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) e no próprio Sistema Penitenciário do Estado foram nomeados para cargos na Fundação Casa na época do extinção Fundação Estadual para o Bem Estar do Menor (Febem). “Se olharmos a dinâmica de funcionamento das cadeias dominadas, bem como para medidas adotadas pelo governo estadual, nos damos conta de que a redução da maioridade penal, em certa medida, já foi colocada em prática”, afirma.

Outro lado
A assessoria de imprensa da Fundação Casa nega que suas unidades sejam “dominadas pelos adolescentes que cumprem medida socioeducativa na instituição e muito menos reprimidos por qualquer organização criminosa”.
O órgão também afirma que a situação presenciada pelo autor do estudo não é mais a mesma. “Com relação ao estudo feito em 2005, à época da antiga Febem, pelo Fábio Mallart, é interessante ressaltar que muitos anos já se passaram e que a Fundação CASA não só mudou de nome. Hoje, cumprindo integralmente o que está previsto ECA e no Sinase, entre às 6h e às 22h, os adolescentes são inseridos em atividades de escolarização formal, esporte, cultura, educação profissional, além do atendimento de psicólogos e de assistentes sociais. Fora isso, os jovens também participam do Programa de Assistência Religioso”, explica em nota.

Leia a nota na íntegra:
"A Assessoria de Imprensa da Fundação CASA esclarece que os centros e, principalmente os citados pelo Portal IG, não são dominados pelos adolescentes que cumprem medida socioeducativa na Instituição e muito menos reprimidos por qualquer organização criminosa.
Com relação ao estudo feito em 2005, à época da antiga Febem, pelo Fábio Mallart, é interessante ressaltar que muitos anos já se passaram e que a Fundação CASA não só mudou de nome. Hoje, cumprindo integralmente o que está previsto ECA e no Sinase, entre às 6h e às 22h, os adolescentes são inseridos em atividades de escolarização formal, esporte, cultura, educação profissional, além do atendimento de psicólogos e de assistentes sociais. Fora isso, os jovens também participam do Programa de Assistência Religios
Desde 2006, construíram-se 67 novos centros em todo o Estado, no total de 149. Antes existiam 86 unidades e 82% dos jovens estavam na Capital, contra 18% no Interior. Hoje a CASA inverteu o quadro, com 38,4% na Capital e 61,6% no interior, Grande São Paulo e Litoral. O adolescente é atendido próximo de sua família e tem todos os seus direitos garantidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e pelo Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase), o que facilita a sua ressocialização.

Outros avanços estruturais e operacionais são visíveis. Houve reformulação pedagógica tanto para jovens quanto para servidores. Os adolescentes contam com atividades de escolarização formal, esporte, cultura e educação profissional básica, além do atendimento psicossocial e de saúde. Os funcionários novos e antigos passam por capacitação pela Escola para a Formação e Capacitação Profissional (EFCP), preparando-os à nova proposta de trabalho, que prega o atendimento individualizado aos jovens, o respeito aos direitos humanos e a abertura à sociedade.
Nesse período, o número de rebeliões caiu drasticamente no Estado. Em 2003, a antiga FEBEM contabilizou um recorde de 80 rebeliões para um número de 80 unidades. A partir de 2006 esse número começou a despencar para 28 rebeliões. Em 2012, houve seis. Em 2013, oito rebeliões – para 148 centros. A Fundação CASA também reduziu o índice de reincidência, de 29%, em 2006, para 13,5 %, em 2013. Provas autênticas que as mudanças surtiram sim os efeitos esperados.
Em 2011, o relatório publicado pelo CNJ considerou a Fundação CASA como modelo para o País. O documento, fruto das visitas do Programa Justiça ao Jovem, apontou grandes avanços em comparação à antiga Febem. “A constatação é de que a decisão política tomada pelo Poder Executivo do Estado de São Paulo ao extinguir a FEBEM realmente reverteu em melhoria substancial, traduzindo-se em modelo que pode inspirar mudanças positivas em outros estados da federação”, afirmou o CNJ.
O relatório “Um Olhar mais Atento às Unidades de Internação e Semiliberdade para Adolescentes”, divulgado pelo Conselho Nacional do Ministério Público em 8 de agosto de 2013, indicou que São Paulo é o Estado com o maior número de centros em condições salubres para o atendimento do adolescente autor de ato infracional, com 91,3%, enquanto a média da região Sudeste, a maior no Brasil, é de 77,5%. Em relação à estrutura de salas de aulas e condições para ensino formal, profissionalização e prática esportiva, o documento indicou que 82,9% das unidades possuem salas equipadas, iluminadas e adequadas; 77,5% contam com espaços condizentes para a educação profissional básica; e 85,3% têm estrutura para atividades de esporte.
Portanto, a Fundação CASA trabalha diariamente para não converter-se numa nova Febem e tem tido reconhecimento de seu trabalho por aqueles que a acompanham diuturnamente."
IG.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

agente socioeducativo "PROFISSÃO PERIGO"

A Rebelião

Este é um dos acontecimentos limítrofes com o qual o agente é obrigado a lidar: a rebelião. Esta situação provocada, organizada, planejada e executada pelos menores expõe todos os agentes a uma condição de risco extremo de serem feitos reféns, de agressões violentas e de morte.





TRAUMAS
Além destes riscos, os trabalhadores, após terem vivenciado uma rebelião, possivelmente apresentarão, em um primeiro plano, sintomas de estresse pós-traumático e em outros planos poderão sofrer sérias mudanças na sua postura profissional, bem como implicações sobre continuar ou não trabalhando .

Como surge então uma rebelião? Quais fatores ou condições propiciam a sua eclosão? Quais os seus objetivos?

Segundo os próprios agentes, a rebelião, tem diferentes nuances e facetas. É sem dúvida uma situação extrema, quando as formas de controle objetiva e subjetiva já não encontram continência e nem tampouco surtem efeito: O jeito é “virar a casa”, ou seja, tomar o controle, desorganizar, destruir, queimar, extrapolar todas as barreiras, mesmo que o preço seja a própria vida.

Apesar desta desorganização e destruição, em geral elas têm objetivos bem definidos: rebeliões são organizadas para disputa de grupos rivais; para agredir os funcionários (para “zuar o funça”, na linguagem do menino), em geral bem definidos anteriormente em função da relação deste com os meninos e de sua postura no pátio; para dominar a casa ou para fugir.

Os agentes experientes identificam algumas situações e momentos
em que pode emergir uma rebelião.
A “casa desandada” , nas mãos dos meninos com a conivência do diretor “paga pau” "madeirão"
e de agentes sem uma postura firme, pode abrir precedentes para troca de favores, como levar celular, e até drogas para dentro das unidades, favorecer a ausência de rotina e a resistência a esta rotina por parte dos meninos.
Além disso, outros indícios são descritos como: o uso da “touca ninja” o “bater grade”
; o ficar cochichando em grupos; o cantar em grupo para dissimular o ruído da confecção de armas brancas ( Naifas“estiletes, highlander” etc); a retirada dos parafusos das trancas (usados para produção de armas), “além de um espírito de rebelião, uma tensão que é sentida no ar e a gota d’água que faz a coisa desandar”.

No entanto, apesar das providências tomadas e de se chamar o reforço, o “choquinho” nem sempre atende a solicitação de imediato e aí as conseqüências do atraso são as agressões, a destruição, as fugas etc.
E em várias ocasiões, exige-se do agente, em sua atividade de trabalho, o uso da violência para a contenção do menino.

Esta é uma questão séria e complexa, pois este mesmo agente do qual se exige uma postura de contenção, pode ser demitido por justa causa em função desta exigência após 
o final da rebelião.


As rebeliões muitas vezes têm saldo bastante negativo, tanto para meninos como para agentes, sejam por agressões, acidentes de trabalho, óbitos etc.
Pode ocorrer também a culpabilização do funcionário e o afastamento de grande número de agentes de uma mesma unidade motivado por doença pós-rebelião, por demissões por justa causa ou por
demissão espontânea.

Os agentes são tomados por sentimentos e emoções contraditórias quando em situações de tumulto, agressões ou de rebeliões.
Pensando em termos da teoria do estresse, verifica-se claramente o estado de alerta que
é disparado a partir de um estímulo de perigo e as reações de fugir ou de lutar. (*1)

por isso intitulei está postagem  "Profissão Perigo"

No decorrer deste tempo as coisas  não mudaram, a não ser nos numeros (se é que mudou mesmo).


FEBEM um passado não muito distante !

coragem para enfrentar a policia ! e força para não ser capiturado !




40 funcionários Reféns, espancados, 3 em estado grave e um  morto





Brincadeira de criança dentro da FEBEM  (AINDA DIZEM QUE ELE NÃO DISSE NADA)



(*1) texto extraido do livro "Monitor da Febem" editado por Rones Marciel
também publicado no Funça News  17/12/2011
http://funcanews.blogspot.com.br/2011/12/rebeliao.html

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

sábado, 17 de dezembro de 2011

A rebelião


Este é um dos acontecimentos limítrofes com o qual o agente é obrigado a lidar: a rebelião. Esta situação provocada, organizada, planejada
e executada pelos menores expõe todos os monitores da Febem a uma
condição de risco extremo de serem feitos reféns, de agressões violentas
e de morte.





Além destes riscos, os trabalhadores, após terem vivenciado uma
rebelião, possivelmente apresentarão, em um primeiro plano, sintomas de
estresse pós-traumático e em outros planos poderão sofrer sérias mudan-
ças na sua postura profi ssional, bem como implicações sobre continuar ou
não trabalhando como monitor na Febem.
Como surge então uma rebelião? Quais fatores ou condições propiciam
a sua eclosão? Quais os seus objetivos?
Segundo os próprios agentes, a rebelião, tem diferentes nuances e facetas. É sem dúvida uma situação extrema, quando as formas de controle
objetiva e subjetiva já não encontram continência e nem tampouco surtem
efeito: O jeito é “virar a casa”, ou seja, tomar o controle, desorganizar, destruir, queimar, extrapolar todas as barreiras, mesmo que o preço seja a
própria vida.
Apesar desta desorganização e destruição, em geral elas têm objetivos
bem definidos: rebeliões são organizadas para disputa de grupos rivais;
para agredir os funcionários (para “zuar o funça”, na linguagem do menino),
em geral bem definidos anteriormente em função da relação deste com
os meninos e de sua postura no pátio; para dominar a casa ou para fugir.
Os agentes experientes identificam algumas situações e momentos
em que pode emergir uma rebelião.
A “casa desandada” , nas mãos dos meninos com a conivência do diretor “paga pau” "madeirão"
e de monitores sem uma postura firme, pode abrir precedentes para troca de favores, como levar celular, e até drogas para dentro
das unidades, favorecer a ausência de rotina e a resistência a esta rotina
por parte dos meninos.
Além disso, outros indícios são descritos como: o uso da “touca ninja”
o “bater grade”
; o ficar cochichando em grupos; o cantar em grupo para
dissimular o ruído da confecção de armas brancas (“estiletes, highlander”
etc); a retirada dos parafusos das trancas (usados para produção de
armas), “além de um espírito de rebelião, uma tensão que é sentida no ar
e a gota d’água que faz a coisa desandar”. Todas estas dicas, se percebidas
pelo agente, daí a importância da experiência, do funcionário de carreira.
Quando a rebelião eclode ou mesmo um tumulto, exigem-se do monitor posturas de contenção dos meninos e do movimento. Se há experiência
por parte do coordenador de turno e dos monitores, as providências tomadas serão no sentido de retirar do pátio e da unidade todos os monitores
e monitoras, trancar as portas e chamar os vigilantes, o “choquinho” ou
mesmo a tropa de choque para conter o movimento sem que os meninos
percebam suas intenções.
No entanto, apesar das providências tomadas e de se chamar o refor-
ço, o “choquinho” nem sempre atende a solicitação de imediato e aí as conseqüências do atraso são as agressões, a destruição, as fugas etc. E
em várias ocasiões, exige-se do monitor, em sua atividade de trabalho, o
uso da violência para a contenção do menino. Esta é uma questão séria e
complexa, pois este mesmo agente do qual se exige uma postura de contenção, pode ser demitido por justa causa em função desta exigência após
o final da rebelião.
Quando o movimento é apenas de tumulto, agentes e coordenadores experientes controlam a situação “no grito. A primeira coisa é ficar de
pé, se estiver sentado; bater a cadeira no chão e gritar: pára, pára. Após o
controle da situação, forma-se todos os meninos no pátio, só de coruja e
dá uma lição de moral neles”.
As rebeliões muitas vezes têm saldo bastante negativo, tanto para
meninos como para agentes, sejam por agressões, acidentes de trabalho, óbitos etc. Pode ocorrer também a culpabilização do funcionário e
o afastamento de grande número de agentes de uma mesma unidade
motivado por doença pós-rebelião, por demissões por justa causa ou por
demissão espontânea.

Os agentes são tomados por sentimentos e emoções contraditórias
quando em situações de tumulto, agressões ou de rebeliões. Pensando em
termos da teoria do estresse, verifica-se claramente o estado de alerta que
é disparado a partir de um estímulo de perigo e as reações de fugir ou de
lutar.






(extraido do livro "monitores da febem"