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sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Ex-infratores retomam vida produtiva ao deixar Fundação Casa em S. José dos campos

Cumprindo medida socioeducativa na unidade, eles voltaram a estudar.
Um deles trabalha em escritório e o outro abriu a própria empresa.

Mudar de vida depois do crime é difícil para grande parte de ex-internos da Fundação Casa, mas em São José dos Campos (SP), dois jovens usaram a oportunidade que tiveram durante o cumprimento da medida sócio-educativa para retomar a vida após deixar a unidade.

Lucas Rebouças dos Santos, 18 anos, e Juan da Silva Pereira, 19 anos, cumpriam pena por crimes como tráfico de drogas e assalto a mão armada quando se conheceram na Fundação Casa. Foi lá que voltaram a estudar e decidiram retomar uma vida mais produtiva depois de soltos e ajudar outros jovens internos no futuro.

Internos têm cursos dentro da unidade em São José. (Foto: Reprodução/TV Vanguarda)
Internos têm cursos dentro da unidade em São
José. (Foto: Reprodução/TV Vanguarda)
Agora assistente administrativo, Lucas divide o tempo entre o trabalho e os compromissos com a igreja evangélica que frequenta. "Trabalho das 8h às 16h30, com um horário de almoço de meia hora, depois às 18h tenho o projeto da igreja. A gente evangeliza e vende balas para o projeto. Tem uns dias da semana que a gente tem reunião até as duas da manhã na igreja", conta ele.

Já Juan da Silva Pereira tem uma rotina diferente. Ele abriu uma microempresa e coordena uma equipe que presta serviços de manutenção. "São cinco funcionários que executam os serviços prediais, como pintura, manutenção elétrica e outros. Eu encaminho os serviços que têm para serem feitos e já vou atrás de outros serviços", diz.

Oportunidade

A psicóloga da Fundação Casa, Renata Andrade, explica que todos os 115 adolescentes da unidade de São José dos Campos têm oportunidade de estudar e fazer capacitação profissional, porém, nem todos manifestam interesse. “Os cursos são oferecidos juntamente com o Centro Paula Souza, buscando uma educação básica profissional, mostrar um pouco do que aquela profissão tem a oferecer, dar um instrumental para o adolescente. Quem quer buscar, vai buscar mais, como qualquer outro adolescente”, explica Renata.

“A gente busca inserir todos na escolaridade formal, porque todos vêm com muita defasagem, então esse é o primeiro incentivo que nós damos. Depois, é oferecer cursos de arte, cultura e educação básica profissional para auxiliá-los no retorno ao convívio em sociedade”, completa a psicóloga.
Os jovens garantem que agarrar a oportunidade de voltar estudar e fazer cursos profissionalizantes valeu a pena, mas eles querem mais, sonham com um futuro melhor, mais produtivo. Juan quer ajudar jovens em recuperação oferecendo oportunidade de emprego. “Agora eu tenho a felicidade, sou feliz. Quero estar com uma empresa maior no meu futuro, abrir um projeto para estar capacitando jovens para trabalhar comigo”, anseia Juan.

Lucas, que ficou preso durante um ano de sua adolescência, quer recuperar o tempo perdido ajudando adolescentes internos a se recuperarem.  “Eu me considero hoje uma pessoa diferente, uma pessoa melhor, tenho muito a mudar ainda, mas já mudei bastante. Quero dar continuidade, fazer uma faculdade para conseguir trabalhar na Fundação Casa. Esse é o meu desafio, quero voltar para a unidade para ajudar as pessoas que estão lá dentro”, diz Lucas.

O auxiliar administrativo quer ajudar adolescentes a se recuperarem em São José dos Campos. (Foto: Reprodução/TV Vanguarda)
O auxiliar administrativo quer ajudar adolescentes a se recuperaremem São José dos Campos. (Foto: Reprodução/TV Vanguarda)

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Interno da Fundação Casa Piracicaba começa a praticar jiu-jítsu para 'vencer na vida'

Interno da Fundação Casa de busca mudança de vida pelo jiu-jítsu em Piracicaba (Foto: Fernanda Zanetti/G1)
Um jovem de 18 anos, interno na Fundação Casa de Piracicaba (SP), quer mudar sua história por meio do jiu-jítsu. Com liberação prevista para este mês, o rapaz disse ao G1 que tem novos objetivos na vida. “Quero mudar, começar a trabalhar, terminar os estudos e continuar lutando. Quero ser um vencedor”, afirmou.
O adolescente foi apreendido em Campinas (SP) por tráfico de entorpecentes e encaminhado para a unidade de Piracicaba há sete meses. “Cheguei à fundação muito mal, usava drogas e brigava com a minha família. Saí da minha casa em Capivari, me mudei para Campinas e aí fui pego vendendo droga.”
O jovem atribui a mudança de postura a Deus e às pessoas a seu redor. Ele ainda afirmou que chegou quase morto à Casa e que, depois de dois meses no local decidiu mudar de vida.

A luta surgiu como um desejo de seguir os passos da atleta Douglas Gomes Brasil, jovem que também foi interno da Fundação Casa de Piracicaba e hoje é considerado um dos melhores atletas da modalidade no Brasil.
“Eu vi que o Douglas mudou o futuro dele e eu também quero fazer isso. Ele é meu espelho. Sei que nada na vida é fácil, mas sei também que as vezes a gente cai e pode se levantar. E eu quero me levantar. Quero mostrar a diferença para minha família e mostrar que sou um vencedor.”

O jiu-jítsu
Há pouco mais de um mês, o rapaz revelou para o diretor da Fundação Casa, Flagas Rodrigues Lopes, que tinha vontade de lutar. “Eu percebi nos olhos dele que ele queria mudar. Primeiro, ele foi levado a dois eventos para a gente saber como seria o comportamento nesses ambientes. Naquele momento, tivemos certeza de que ele realmente queria mudar.”
Após o pedido, o jovem disse que ficou esperando a reposta do diretor e não sabia se o desejo seria atendido, mas que não perdeu as esperanças. Uma semana depois, o rapaz recebeu a notícia de que poderia fazer um teste em uma academia.
"Quero mudar a minha vida. Quero ser um vencedor", diz jovem (Foto: Fernanda Zanetti/G1)
Dia do teste
“Eu ia fazer o teste no dia 22 de julho, mas teve aquela chuva na cidade e, infelizmente, a academia foi alagada. Mas o teste foi feito na mesma semana e passei. Fiquei muito feliz. Tenho treinos às segundas, quartas e sextas, mas meu treinador disse que mais para frente quer que eu pratique diariamente.” O diretor da Fundação Casa afirmou que o jovem foi aceito por seu potencial e que o treinador prepara o rapaz também para lutar MMA (sigla em inglês para artes marciais mistas).
A saída
Apesar de a família do rapaz morar em Capivari, ele disse que quer permanecer em Piracicaba para continuar os treinamentos, terminar os estudos e arrumar um emprego. “Todo jovem que está aqui, quer sair. Uns optam por não mudar de vida, mas eu não. Vou ser diferente, vou mudar e ser o orgulho da minha família e do senhor Flagas, que me deu a oportunidade que jamais vou esquecer.”

http://g1.globo.com/sp/piracicaba-regiao/noticia/2013/08/interno-da-fundacao-casa-comeca-praticar-jiu-jitsu-para-vencer-na-vida.html

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Atleta de Piracicaba é convidado para treinar nos EUA

Jovem que já cumpriu medida socioeducativa na Fundação Casa teve seu talento para o atletismo revelado dentro do centro socioeducativo

O atleta Douglas Gomes Brasil está perto de um futuro promissor no esporte. O jovem, que já cumpriu medida socioeducativa na Fundação Casa de Piracicaba, foi convidado para treinar nos Estados Unidos com o preparador físico norte-americano John Williams, especializado em esportes de alto rendimento.

O talento de Douglas para o atletismo foi revelado dentro do centro socioeducativo de Piracicaba. "Quando chegou aqui, percebemos que ele tinha um talento especial. Fomos descobrindo as potencialidades dele no esporte e assim, por vontade própria e com o nosso apoio, ele chegou onde está hoje. Ele é um vencedor", disse o diretor Flagas Rodrigues Lemes.

Diretor Do Centro Flagras Lopes
O convite surgiu após um workshop ministrado pelo treinador norte-americano no Centro de Excelência em Atletismo de Piracicaba. O evento, realizado no dia 2 de julho, fez parte da visita de 15 dias que John Williams fez ao Brasil, com o objetivo de acompanhar eventos da modalidade no país. Williams é um dos responsáveis pelo treinamento do campeão olímpico em salto em distância, Dwight Phillips, e mantém um centro especializado no desenvolvimento de atletas na cidade de Atlanta.




O desafio agora é buscar parceiros para que o jovem possa dar sequência à oportunidade conquistada e treinar nos Estados Unidos. Douglas conseguiu bons resultados durante os jogos regionais, ficando em 1º lugar no Decatlo, em 1º lugar nos 100 metros com barreiras e em 2º no salto em altura.

http://saopaulo.sp.gov.br/spnoticias/lenoticia.php?id=231630&c=6

terça-feira, 30 de julho de 2013

Jovem de Piracicaba é convidado para treinar atletismo nos EUA

Atleta treinará com preparador físico John Williams; talento para a modalidade esportiva foi revelado dentro de centro socioeducativo de Piracicaba

RECORD_ATLETISMO_PIRACICABA_170413_EL_60_WEBPassadas largas rumo ao sucesso. É assim que o atleta Douglas Gomes Brasil se aproxima de um futuro cada vez mais brilhante no esporte. O jovem, que já cumpriu medida socioeducativa na Fundação CASA de Piracicaba e teve seu talento para o atletismo revelado dentro do centro socioeducativo, está prestes a consolidar um intercâmbio para treinar com o preparador físico norte-americano John Williams, especializado em esportes de alto rendimento.

Williams é um dos responsáveis pelo treinamento do campeão olímpico em salto em distância, Dwight Phillips, e mantém um centro especializado no desenvolvimento de atletas na cidade de Atlanta, nos Estados Unidos.

O convite surgiu após um workshop ministrado pelo treinador norte-americano no Centro de Excelência em Atletismo de Piracicaba. O evento, realizado no dia 02 de julho, fez parte da visita de 15 dias que Williams fez ao Brasil, com o objetivo de acompanhar eventos da modalidade no país.

Como explica a treinadora responsável pelo jovem, Maria José Ferreira, Williams visitou também os vários núcleos esportivos da Secretaria Municipal de Esportes, Lazer e Atividades Motoras (Selam) e se encantou pelo atleta. “O Douglas logo chamou a atenção e ele propôs um intercâmbio de seis semanas nos EUA”, disse a treinadora.

Agora, a treinadora busca parceiros para que o jovem possa dar sequência à oportunidade conquistada. “Esperamos conseguir em breve uma parceria para que ele possa fazer este intercâmbio nos EUA”, comenta Maria José.

A treinadora destacou ainda os excelentes resultados do jovem. “Ele conseguiu bons resultados durante os jogos regionais, ficando em 1º lugar no Decatlo, em 1º lugar nos 100 metros com barreiras e em 2º no salto em altura”, destacou a treinadora.

O diretor do centro socioeducativo de Piracicaba, Flagas Rodrigues Lemes, relembra o comportamento e o desenvolvimento do jovem quando entrou na Fundação CASA. “Quando chegou aqui, percebemos que ele tinha um talento especial. Fomos descobrindo as potencialidades dele no esporte e assim, por vontade própria e com o nosso apoio, ele chegou até onde está hoje. Ele é um vencedor”, conclui o diretor.

http://www.fundacaocasa.sp.gov.br/index.php/noticias-home/2499-jovem-piracicaba-e-convidado-para-treinar-atletismo-nos-eua

sábado, 29 de junho de 2013

Descoberto na Fundação Casa, ex-interno vai disputar campeonato paulista de futebol

LEANDRO AGUIAR
CLARA VELASCO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Foi durante uma partida de futebol na Fundação Casa que um time profissional descobriu o então interno Marcus Vinícius Oliveira, 17. O jovem paulista integra a categoria sub-17 do Osasco Futebol Clube e vai disputar a Série B do Campeonato Paulista no segundo semestre deste ano.


Marcus conta que foi detido pela primeira vez aos 15 anos, por roubo. Uma vez na fundação, jogava futebol todos os dias na quadra da unidade, e mesmo antes de ser solto foi chamado para treinar na Portuguesa. Continuou a treinar em liberdade, mas um segundo roubo o fez retornar à fundação. Na segunda detenção, aos 16 anos, chamou a atenção do Osasco, onde está desde outubro de 2012.

Danilo Verpa - 31.abr.2013/Folhapress
Marcus Vinicius, que já esteve detido na Fundação Casa e hoje está na equipe sub-20 do Osasco
Marcus Vinicius, que já esteve detido na Fundação Casa e hoje está na equipe sub-20 do Osasco

A Fundação Casa organiza campeonatos de futebol de campo todos os anos. "Alguns diretores de times profissionais veem as partidas e nos procuram para que possamos encaminhar os meninos para os times", diz Zé Maria, campeão do mundo pela seleção brasileira em 1970 e um dos responsáveis por gerenciar a prática esportiva na Fundação Casa.

"Essa oportunidade não é pra qualquer um", afirma Telma Oliveira, mãe de Marcos. Ela costuma acompanhar o filho nos treinos, e mesmo dizendo não entender muito de futebol, diz garantir que ele é bom jogador. O filho explica: "jogo mais aberto, em velocidade pelas pontas". Quando questionado se busca inspiração em algum jogador, responde: "O Lucas, que jogava no São Paulo [hoje no francês PSG]".

Zé Maria defende que "o esporte exige disciplina, respeito e vontade". Por isso, ele diz acreditar que os internos interessados em jogar sabem que, se tiverem algum problema durante os jogos ou se tentarem fugir das unidades, estarão fora do time.

Apesar de incentivar o esporte, o campeão mundial diz que a maior parte dos jovens que jogam na fundação não vai conseguir integrar alguma equipe profissional. "É o sonho de muitos deles, mas é claro que a probabilidade de se chegar ao profissional é muito pequena. Para a grande maioria, a gente fala que tem que trabalhar, procurar outro caminho."


quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

“Enem é oportunidade de voltar para a sociedade como uma pessoa digna”, diz interno da Fundação Casa que faz 2º dia de prova hoje

Como muitos jovens de 17 anos, Fabiano começa a traçar o que espera do seu futuro: com a nota do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), o jovem pretende terminar o ensino médio e ingressar em uma faculdade de direito. Ele tem, porém, um diferencial: há cinco meses, ele é um dos internos da Fundação Casa São Paulo, no Complexo da Vila Maria, na zona norte de São Paulo.

Fabiano é um dos 488 jovens da Fundação Casa que começaram a fazer o exame nesta terça-feira (4) e farão o segundo dia de prova nesta quarta-feira (5). No País, o exame será aplicado para 23.665 candidatos em unidades prisionais ou socioeducativas.

O adolescente falou que foi detido porque era um “jovem impossível de controlar e que agiu em um momento de emoção”. Para Fabiano então, que estava cursando o 3º ano do ensino médio quando foi detido, o Enem é uma chance “de começar uma vida nova lá fora”.

— É uma oportunidade de voltar para a sociedade como uma pessoa digna. Com livre arbítrio, sem discriminação.

Ele diz que estuda diariamente na fundação e que tem apoio dos educadores. Sobre seus pais, que moram no interior de São Paulo, Fabiano diz que recebe apoio deles.

— Para eles é até gratificante de ver que, eles se sentem orgulhosos porque, apesar do que eu fiz, de estar aqui, daqui pra frente eu vou fazer melhor.

O adolescente Lucas, 17 anos, também diz que vê o Enem como uma porta de entrada para a faculdade. Como trabalhou uma época na área, seu sonho é fazer um curso de administração de empresas.

— Estou aqui há um ano e acho que essa prova vai me beneficiar. Independente da vida que nós seguimos, a prova é uma coisa que vai trazer coisas boas.

Na fundação, Lucas diz que costuma ler livros com as matérias do Enem e de vestibulares, além de outros livros e cita o autor Augusto Cury.

Passatempo

Pedro, 18 anos, também está fazendo a prova do Enem para concluir o ensino médio e para, no futuro, cursar uma faculdade de história e também de desenho industrial. Como gostar de desenhar, diz que quer trabalhar com tatuagem. Tímido, o jovem que está na Casa Bela Vista há um ano e um mês, diz que sente prazer em estudar e que está estudando espanhol, após concluir o curso de inglês.

— Estudar é meu melhor passatempo. Aprendi muita coisa aqui.

O jovem, que diz não gostar de falar sobre “os erros que cometeu e que ficaram no passado”, é o único da unidade da Bela Vista a prestar a prova. Questionado sobre o assunto, ele diz que virou uma referência no local.

— Os meninos me apoiam para fazer a prova. Eu acabei virando uma referência. Eles me procuram quando querem saber uma palavra que não conhecem ou têm alguma dúvida.

http://i2.r7.com/FudacaoCasa_Enem_2012_DO (1).jpg

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Jovens da Fundação Casa estudam para prestar Enem

O exame será aplicado nos dia 4 e 5 de dezembro


Cerca de 500 internos pretendem mudar de vida por meio do estudo. Jovens infratores da Fundação Casa se preparam para prestar o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), nos dias 4 e 5 de dezembro, com o objetivo de ingressar uma faculdade.

O Enem será aplicado dentro dos centros socioeducativos pelas equipes do MEC (Ministério da Educação). Os internados recebem aulas de reforço para recuperarem o tempo perdido e conquistarem uma boa nota.

Segunda a diretora de uma das unidades da Fundação Casa, Keila Costa e Silva, muitos buscam o certificado de conclusão do ensino médio e a maioria deseja entrar em uma universidade.

— Se eles forem aprovados vamos tentar junto ao poder judiciário solicitar que os internos sejam desintegrados. Mesmo assim é a nossa equipe irá conduzi-los a faculdade.

Os internos podem concorrem a vagas em instituições federais pelo Sistema de Seleção Unificada ou em universidades particulares pelo ProUni (Programa Universidade para todos). 

Caso os internos sejam aprovados no vestibular ou nas escolas técnicas, caberá ao juiz libera-los ou não.

Veja o Video

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Fundação Casa tem 488 adolescentes inscritos para fazer a prova do Enem

Um grupo de 488 adolescentes que cumpre medidas socioeducativas em 93 unidades da Fundação Casa, em São Paulo, está inscrito para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) nos dias 4 e 5 de dezembro. É o maior número dos últimos três anos. No ano passado, 105 jovens fizeram as provas.

O aumento, segundo a gerente escolar Neuza Flores, se deve ao fato de que nesta edição muitos internos farão as provas para conseguir a certificação do ensino médio, além dos que vão disputar vaga em universidades ou usar o exame para solicitar bolsa do Programa Universidade para Todos (Prouni). O Enem será aplicado por equipes do Ministério da Educação nos próprios centros de medidas socioeducativas e nas unidades prisionais.
As unidades da Fundação Casa abrigam atualmente cerca de 6.300 jovens infratores. A maioria tem entre 16 e 17 anos, e apesar de já ter idade suficiente para cursar o ensino médio, está entre o 6º e o 9º ano do ensino fundamental. Os jovens chegam às unidades com defasagem no ensino muitas vezes porque abandonaram a escola e retomam os estudos durante a internação, já que a atividade é obrigatória. Grande parte é alfabetizada neste período.
Interno da Fundação Casa durante aula (Foto: Raul Zito/G1)Interno da Fundação durante aula preparatória
para o Enem (Foto: Raul Zito/G1)
Foco no Enem
Na Novo Tempo, unidade da Fundação Casa em Franco da Rocha, Região Metropolitana de São Paulo, há um trabalho específico para o Enem. Os oitos meninos que farão as provas têm um reforço de duas horas e meia por dia com simulados e exercícios específicos há quatro meses. É o momento para eles tirarem as dúvidas da disciplina que mais os aflige: matemática.
“Número é difícil de decorar. Nunca repeti de ano, mas dá medo de não conseguir lembrar tudo na hora da prova. Estou me dedicando, tenho força de vontade, cometi um ato infracional, mas quero mudar minha vida”, diz o jovem de 17 anos que quer estudar engenharia de petróleo.
Os cursos de enfermagem, mecânica, publicidade e direito estão entre os sonhos dos jovens da unidade de Franco da Rocha que farão o Enem e pretendem cursar uma faculdade. Eles dizem apostar na educação para conseguir conquistar sonhos e reescrever a história de suas vidas.
“O Enem abre portas, e se eu me arrisquei por uma algo ruim, também tenho de me arriscar para conseguir algo bom. Tenho vontade de vencer”, afirma o garoto de 18 anos que pretende seguir carreira em publicidade.
Os jovens não revelam qual foi o ato infracional que os tirou a liberdade. Quando questionados dizem que preferem não contar porque o crime faz parte do passado, estão arrependidos e agora pagam sua dívida com a sociedade.
VEJA HISTÓRIAS DE INTERNOS DA FUNDAÇÃO CASA DE FRANCO DA ROCHA QUE VÃO FAZER O ENEM
Fundação Casa (Foto: Raul Zito/G1) (Fotos: Raul Zito/G1)

'Quero ser engenheiro de petróleo'
“Tenho 17 anos e estou na Fundação há quatro meses. Perdi meus pais em um acidente de carro, minha irmã é minha responsável. Quero estudar engenharia de petróleo porque algumas pessoas da minha família trabalham nesta área. Vou fazer o Enem para conseguir uma bolsa de estudos e provar que eu não sou o que todo mundo pensa. Posso mudar minha vida se tiver força de vontade, e eu tenho muita.”

Fundação Casa (Foto: Raul Zito/G1)

'Enquanto não saio, eu estudo'“Quero estudar enfermagem porque é uma profissão gratificante, que só faz o bem. Tenho 19 anos, estou na Fundação há mais de um ano. Entrei aqui por um erro na qual me arrependo. Devo sair logo, mas não penso nisso, porque se eu juntar a ansiedade de sair mais a de fazer o Enem, não consigo fazer nada. Enquanto não saio, me dedico aos estudos. Só o aprendizado pode abrir novos caminhos. Já perdemos bastante, aqui é um caminho, uma chance de mudarmos nosso futuro.”
Fundação Casa (Foto: Raul Zito/G1)


'Vou ser o 1º a entrar na faculdade'“Sou criativo, me dou bem com comunicação, leio bastante e por isso quero estudar publicidade. Vou fazer o Enem, mas minha maior dificuldade é com matemática. Tenho vontade de vencer e não vou perder as oportunidades. Tenho 18 anos, estou aqui desde março. Se eu me arrisquei por uma coisa ruim, tenho de arriscar para conseguir algo bom. Meu pai é vigilante, minha mãe é doméstica, eles não tiveram sucesso profissional, por isso eu quero ser. Vou ser a primeira pessoa da minha família a entrar na faculdade.”
Fundação Casa (Foto: Raul Zito/G1)

'Só a educação vai mudar minha vida'“Tenho de conhecer o lado bom da vida para ser alguém, quero entrar na faculdade. Tenho 17 anos e estou na Fundação desde abril. Abandonei a escola no 2º ano por falta de interesse, aí fui ver o outro lado que me trouxe até aqui. Cometi um erro, mas foi passado. Tenho medo de frustrar minha mãe novamente. Só a educação vai ajudar a mudar minha vida e conquistar meus planos.”
Fundação Casa (Foto: Raul Zito/G1)

'Quero me tornar promotor ou juiz'"Gosto muito de ler, tinha o hábito quando estava lá fora, mas perdi. Me envolvi com o crime e perdi o interesse. Gosto de escrever, de contar histórias. Tenho 18 anos, quero estudar direito e, quem sabe, me tornar um promotor ou juiz. Estou na Fundação desde abril, me arrependo do que fiz porque desiludi a mim e a minha família. Acredito na educação para mudar minha vida.”

Fundação Casa (Foto: Raul Zito/G1)

'Quero fazer arquitetura ou mecânica'“Antes de entrar aqui não prestava atenção nas aulas. Agora tenho mais tempo para me focar. Tenho 18 anos e vou fazer o Enem para entrar na faculdade, esta é a meta. Ainda não sei se quero estudar arquitetura ou mecânica. Estou há na Fundação há seis meses, cometi um erro, e estou arrependido.”

CORTADA Fundação Casa (Foto: Raul Zito/G1)

'Escolhi radiologia para ajudar pessoas'“Corria risco lá fora, agora procuro fazer o bem, aproveitar as oportunidades. Escolhi estudar radiologia porque é um meio de ajudar as pessoas. Tenho 18 anos, quero ser alguém no futuro e mudar a visão que a sociedade tem de mim. Consigo prestar mais atenção nas aulas aqui dentro do que quando estava lá fora. Tem menos gente na sala e os professores acreditam na nossa capacidade.”
Educação Fisica Fundação Casa (Foto: Raul Zito/G1)

'Quero fazer minha mãe feliz'“Fiquei dois anos fora da escola, não gostava de ir, ou ia e não estudava. Não estava pensando no meu futuro. Minha mãe é empregada, meu pai é pedreiro, tenho três irmãos mais novos e preciso de um emprego para ajudar minha família. Quero fazer minha mãe feliz. Tenho 18 anos, entrei na Fundação em março. Quero fazer educação física, gosto de esporte, jogo basquete e futebol. Estou estudando bastante, mas ainda tenho dificuldade com o vocabulário, não são todas as palavras que entendo.”
Ensino superior
Quando saem as notas do Enem, as unidades avaliam as possibilidades de inscrever os internos no Sistema Integrado de Seleção de Unificada (Sisu) que oferece vagas em universidades públicas ou no Programa Universidade para Todos (Prouni) que distribui bolsas de estudo para universidades particulares. No início deste ano, nove internos foram matriculados no ensino superior, um número recorde.
Fundação Casa (Foto: Raul Zito/G1)Unidade  Novo Tempo, em Franco da Rocha
(Foto: Raul Zito/G1)
Se aprovado, o menino precisa de uma autorização judicial para frequentar as aulas. O adolescente pode tanto ser desinternado, ter uma mudança do regime da medida (passar de regime privado a semi-liberdade, por exemplo) ou no último caso, assistir às aulas acompanhado por um funcionário da Fundação, dependendo do histórico do interno. O juiz também pode impedir que o adolescente estude, o que ocorre em alguns casos, e negar a autorização.
“Alguns juízes ainda não autorizam e fecham essa ponte. A educação é essencial, inclusive, para que esse meninos não cheguem à Fundação. Se houvesse uma educação pública de qualidade, o número de internos cairia muito”, afirma Neuza Flores, gerente escolar da Fundação.
Em 2011, mais de 14 mil pessoas privadas de liberdade foram inscritas no Enem em unidades prisionais ou de medidas socioeducativas. As provas foram aplicadas em 527 unidades de todo o país. Os números deste ano ainda não foram divulgados pelo Ministério da Educação.

http://g1.globo.com/educacao/noticia/2012/11/fundacao-casa-tem-488-adolecentes-inscritos-para-fazer-prova-do-enem.html

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Famosos que já passaram pela FEBEM

DADÁ MARAVILHA

Dario José dos Santos, o Dadá Maravilha.

É o quinto maior artilheiro do futebol brasileiro com 926
Dario teve uma infância pobre no subúrbio de Marechal Hermes
Dadá tem uma história de vida sofrida. O bom humor de hoje esconde uma infância repleta de pequenos crimes. Aos 16 anos foi detido e acabou na Febem em razão de um furto,  onde conheceu o futebol. Em 1965, Dario começou a jogar nos juniores da equipe do Campo Grande, sendo promovido ao time principal em 1967. Seu talento despertou a atenção do Clube Atlético Mineiro, sendo levado para o clube Belo Horizonte no ano seguinte.
Logo, Dadá alcançaria a fama. Destaque no Campeonato Brasileiro de 1971, Dario parou no ar como um beija-flor no dia 9 de dezembro, no Estádio Jornalista Mário Filho, para assinalar no placar Atlético-MG 1, Botafogo zero. Com este gol, o Atlético Mineiro sagrou-se campeão brasileiro daquele ano.
Dario vestiria a camisa de mais 16 clubes. No entanto, o maior destaque de Dadá seria atuando por outro grande clube do futebol brasileiro: o Internacional de Porto Alegre. Dadá foi importante na conquista do Bi-Campeonato Brasileiro pelo Internacional, inclusive marcando o primeiro gol da final do Brasileirão de 1976, na vitória de 2 a 0 sobre o Corinthians.
Dadá também é dono de frases "poéticas", como: "Não venha com a problemática que eu dou a solucionática", "Me diz o nome de três coisas que param no ar: beija-flor, helicóptero e Dadá Maravilha", "Isso é mamão com açúcar" ou ainda "Não existe gol feio. Feio é não fazer gol.".




Carlos Alberto da Silva, o Mendigo

A história dramática de Carlinhos, o Mendigo      
Quem vê o sorriso no rosto de Carlos Alberto da Silva, o Mendigo, 32, não imagina o que ele já sofreu na vida.
E, superando todas as cruéis expectativas, o jovem conseguiu se esquivar da marginalidade, das drogas, da prisão e até mesmo da morte. Reescreveu sua história por intermédio do carisma e do talento de fazer rir.
Carlinhos não teve o direito de ser criança, brincar de carrinho e jogar futebol com os colegas na rua. Aos 4 anos, ele fugiu da casa onde morava, em São Paulo, levado pelos irmãos mais velhos, que não aguentavam mais as constantes agressões dos pais.

Pouco tempo depois, se perdeu e ficou sem ninguém da família. Por não ter o que comer ou para onde ir, pediu esmolas e dormiu na rua. Morou na Praça da Sé, no centro da capital paulista, até ser levado para uma unidade da FEBEM (Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor, atual Fundação Casa).

Da instituição para menores, o Mendigo foi parar em um colégio interno mantido pela prefeitura da cidade. Foi então que a história dele começou a mudar. Aos 14 anos, o rapaz chamava a atenção pelo bom comportamento e pela alegria de viver. Então, ele recebeu uma ajudinha pra lá de especial: por meio de um dos diretores da escola, Carlinhos foi apresentado a Margot Leopoldo e Silva de Carvalho, mãe do dono da Jovem Pan, Antonio Augusto Amaral de Carvalho Filho, o Tutinha, que o levou para trabalhar como officeboy na emissora.

"Na hora do almoço ele descia até a rádio. Deixava de comer para ver o Pânico no estúdio. E começou a conhecer o pessoal, fez amizade. O Ceará (Wellington Muniz), que na época fazia o Paulo Jalaska, percebeu que o Carlinhos tinha talento e o chamou para ajudar nas paródias toscas das músicas internacionais. Depois, como ele dava uns arrotos em público acabou virando o homem-arroto: falava a escalação da Seleção Brasileira de futebol inteira com o som que conseguia fazer com a boca (risos). Daí em diante, todo mundo conhece a história"



Roberto da Silva 52 anos, professor doutor da Universidade de São Paulo (USP)



Em 1993, o Globo Repórter mostrou a história de Roberto da Silva. Ele fez parte da primeira geração de internos na Febem de São Paulo.Pedagogo, com especialização em Criminologia e mestrado e doutorado em Educação, Roberto da Silva usou sua experiência de vida para traçar sua trajetória como empreendedor social, professor universitário e pesquisador.

Abandonado pelos pais aos três anos de idade, Silva passou a infância e a adolescência em unidades da Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem). Após deixar a instituição, viveu nas ruas praticando pequenos delitos. Foi preso e passou sete anos na Casa de detenção de São Paulo, onde começou a estudar direito penal e tentou organizar os presos em uma associação – iniciativa reprimida pela polícia.




ROBERTO CARLOS RAMOS

Ele fugiu mais de 130 vezes da antiga FEBEM, em Belo Horizonte. Aos 12 anos, chegou a ser considerado um caso irrecuperável. Mesmo assim, foi adotado por uma francesa, e se tornou pedagogo, Mestre em Educação pela Unicamp, palestrante motivacional, escritor e contador de histórias. Esse é Roberto Carlos Ramos. 'O Contador de Histórias' 2009, filme de Luiz Villaça baseado na vida do mineiro Roberto Carlos Ramos; filme premiado com o selo da Unesco.




Chico Buarque de Holanda


Fui preso, com 17 anos, pela minha brincadeira de playboy, aquela história de roubar carros, pegar o carro do sujeito, andar até acabar a gasolina, largar o carro na puta que pariu e voltar para casa a pé. E, quando fui pego, apanhei um bocado. Tem gente que fala que foi o golpe militar que piorou a situação nas delegacias de polícia, mas porrada em preso já existia. Isso é uma instituição nacional e secular. Depois de tomar porrada de todos os guardas, do ascensorista, do delegado, ser ameaçado de tortura, finalmente consegui convencer aqueles caras de que eu era menor de idade e fui transferido para o que seria hoje uma Febem.
http://www.chicobuarque.com.br/texto/entrevistas/entre_ocas_240704.htm




Grande otelo

Sebastião Bernardes de Souza Prata, o saudoso Grande Otelo, nasceu em 3 de outubro de 1915. Em sua infância, passou pela Febem, episódio que narrou aos microfones da Jovem Pan. Em sua carreira, fez parte de produções históricas, criando personagens inesquecíveis.
Desde os anos 60, Otelo foi contratado da TV Globo. Participou de novelas como “Uma Rosa com Amor”, e trabalhou no humorístico “Escolinha do Professor Raimundo”, no início dos anos 90. Seu último papel foi uma participação na telenovela “Renascer”, pouco antes de morrer, aos 78 anos, vítima de um ataque do coração fulminante.

Inesquecível em “Macunaíma”, irreverente na Companhia Negra de Revistas, o querido Grande Otelo veio do circo e conquistou o mundo.



sábado, 14 de julho de 2012

Ex-interno conquista título de Campeão Brasileiro

Robson Neves Ferreira da Silva, hoje com 20 anos, passou por três centros de internção para menores infratores em Brasília, ganhou a liberdade em 2010 e depois que saiu já conquistou o título de Campeão Brasileiro do Centro-Oeste de Jiu-Jitsu.

O rapaz contou que fugiu de casa aos sete anos para viver nas ruas e por isso acabou usando drogas e cometendo vários crimes. Foi apreendido três vezes e na última ele decidiu mudar de vida.

— Conversei com minha psicóloga e disse que queria aprender a lutar para ser alguém na vida. Ela disse que tinha um irmão que lutava e dava aulas.


A partir daí, durante um ano, o rapaz dedicou três horas por dia para os treinos. Ao conquistar a liberdade, decidiu se profissionalizar e participou de dois campeonatos, sem vitórias, mas que serviu de mais motivação ainda.


— Eu vim de duas derrotas, mas não desisti. Decidi que seria um vencedor e lutei por esse ideal. É meu objetivo.

O atual deputado federal e ex-campeão mundial de box, Acelino Popó Freitas, foi motivo de inspiração por muitos anos para o rapaz, que queria conhecê-lo pessoalmente um dia.

E esta data chegou, a reportagem da TV Record promoveu o encontro dos dois que se conheceram e lutaram em um octógano, local onde acontecem as lutas do MMA, que é uma mistura de todas as outras. Ao conhecer o jovem, Popó se orgulhou do exemplo de superação.


— Para chegar no MMA, que é o objetivo do Robson, é preciso muita dedicação, treino e disciplina. Mas ele vai tirar de letra, pelo histórico dele de força e perseverança.

No final, para guardar para sempre o encontro histórico, Robson tira uma foto com o ídolo Popó.

— Estou feliz e vou guardar para sempre esse momento.

Assista ao vídeo: