Infelizmente, a postura da Fundação Casa tem sido veemente: "não há negociação. Damos 6,17% de reajuste e ponto”.
Eu tenho participado diretamente de algumas discussões com pessoas do nosso sindicato, tenho também participado somente de algumas poucas reuniões, tendo em vista que elas todas se realizam em São Paulo e eu moro em Piracicaba, e tenho também acompanhado, pelo Facebook, alguns debates e comentários aleatórios.
Conversando com alguns colegas do meu Centro, hoje, me foi pedido pra fazer um texto referente à minha análise sobre o processo grevista que estamos vivendo na Fundação CASA.
Foi uma grata surpresa pra mim, ver que muitos colegas participam ativamente das discussões que definem os nossos caminhos dentro da FC, pois no meu Centro, poucas vezes se viu alguém do sindicato pra dar esclarecimentos, quer seja sobre a greve, quer seja sobre qualquer outro assunto de interesse em comum.
O que eu vi, foi um sindicato sem a menor estrutura para organizar uma greve deste porte. E pior! Vi um sindicato que não tem propostas! Ou se tem, não usa de seu poder enquanto sindicato, pra dar peso a elas nas mesas de negociação.
A greve começou praticamente contra a vontade do sindicato, uma vez os próprios servidores entenderam a força que tinham nas mãos. Contrariamos, então, a orientação do sindicato, que era a que deveríamos acatar a "determinação" do TRT, voltando ao trabalho.
Ora! O TRT não determina nada! Ele, sim, dá o seu parecer, baseado na estrutura real de cada categoria trabalhista, e no nosso caso, tanto isso é verdade, que na audiência do dia 23/04/14 cuja pauta era julgar a legalidade da greve, este mesmo TRT deu um basta a esse silêncio da FC referente ao reajuste salarial. Este mesmo TRT disse, textualmente, que era preciso verificar todas as reivindicações dos servidores, afinal, eles, nós, provavelmente tínhamos razão em estar fazendo essa paralisação, diante da falta de negociações.
Eu nunca fui sindicalista! Nunca participei antes, de nenhum movimento igual a este, mas até onde eu sei, o papel de um sindicato é ouvir a categoria, e ir pra cima do empregador até que se consiga o reivindicado, ou perto disso. Isso sem contar que muitos itens da pauta, já são garantidos pelas leis, e só o que se precisa, é que eles sejam cumpridos!
E, colegas, não é o que temos visto, certo?
Eu vejo uma apatia, um descaso com o servidor, uma falta de respeito às suas necessidades básicas (segurança, material de trabalho, refeições, saúde, planos de salários, etc.), uma incoerência com a representatividade, uma afronta à paciência de qualquer cristão, uma banalização do que é ser um sindicato de verdade.
Infelizmente, a postura da FC tem sido veemente: "não há negociação. Damos 6,17% de reajuste e ponto”.
Além disso, a FC nos “obrigou” a repor os dias parados, sob pena de serem descontados de um salário que já é extremamente defasado.
Isso sem contar que o convênio dobrou de valor, e não existe uma única linha na ata do dia em que se discutiu este assunto, sobre a redução do valor cobrado do servidor. Isso sem contar também, que em muitas cidades a Amil não mantém profissionais cadastrados, tornando a vida do servidor doente, um problema muito maior do que já é por si só.
Não sei nos outros Centros, mas conhecendo o modus operandi do sindicato, acredito que não tenha sido só no meu Centro que membros do sindicato tenham ido pra dizer: "é, então, nós vamos ter que compensar os dias" como se isto já fosse um assunto encerrado e aprovado.
TUDO que está nas atas, são somente PROPOSTAS.
Caberá à Assembleia decidir se aceitamos ou não. Isto foi decidido na Assembleia do dia 24/04/14 e, portanto, nos próximos dias seremos convocados (ou informados) sobre a nova Assembleia que decidirá todas estas pautas.
Já se passaram 4 reuniões de negociação, e o que vimos publicado foram propostas que estão muito longe de ser o que nós queremos.
Teremos mais uma reunião, no próximo dia 12, e nesta reunião, serão discutidos todos os itens que ainda não entraram na pauta.
É bom lembrar, que muitos dos 54 itens foram suspensos da negociação, pelo TRT, porque não houve um acordo entre FC e sindicato, e estes serão discutidos e aprovados através de uma Seção de Dissídio Coletivo (SDC).
Seja qual for a negociação entre sindicato e FC referente ao nosso reajuste salarial, não haverá participação do TRT, pois este não interfere e nem decide assuntos financeiros de nenhuma categoria. É muito provável que, junto com outros itens, será avaliado e julgado pela SDC.
Pra quem tem acompanhado todas as matérias que os colegas das mesas de negociação gentilmente têm publicado para o nosso conhecimento, está MUITO claro que não conseguiremos muitas respostas condizentes com o que estamos reivindicando.
Está MUITO claro também, que o sindicato é contra a continuidade da greve para que alcancemos os nossos objetivos, afinal, como eles têm dito nos Centros, nós temos que acatar as decisões finais.
Eu só gostaria de refrescar a memória de todos, dizendo que fomos pra esta greve por nossa conta.
Conforme orientação massiva do SITRAEMFA, nós deveríamos ter parado esta greve antes mesmo dela ter iniciado oficialmente.
Se tivéssemos feito o que o sindicato pediu, teríamos perdido justamente esta oportunidade que o TRT nos deu de negociarmos os 54 itens, e não mais somente o reajuste salarial.
Eu, particularmente, gostaria que não tivéssemos precisado chegar a este ponto, pois uma greve, é a última alternativa de uma categoria. É a última arma que se tem nas mãos, para conseguir o justo que estamos reivindicando.
Porém, diante de tudo que tem acontecido nas reuniões de negociação, a minha opinião pessoal é que devemos voltar à greve se não conseguirmos negociar com a FC.
Eu sei que muitos colegas tiveram medo de participar até agora, por motivos pessoais que não cabe julgamento.
Muitos preferiram ficar do lado de fora da greve, aguardando pra ver se “a greve ia pegar”.
E pegou! Pegou lindo!
O ser humano é inteligente por natureza, e este é um momento apropriado pra cada um de nós pensarmos bastante e refletir a respeito de tudo que tem sido divulgado nas redes sociais.
Se nós não nos unirmos agora, imediatamente, nós vamos perder juntos.
Mas se todos fizerem uma reflexão e entenderem que esta é a nossa última e única saída, talvez possamos mostrar para as autoridades, que estamos cobertos de razão.
Cada Centro que se organize. Cada Centro que determine se há necessidade de entrar algum AAS ou se seus coordenadores e demais gestores podem dar conta de cuidar dos adolescentes.
Enquanto houver zona de conforto, nós não vamos conseguir ganhar esta guerra.
Eu não estou incitando nenhum servidor a fazer baderna, a largar o Centro sem se importar com a estrutura geral, mas eu estou, sim, dizendo que não é problema nosso o que vai acontecer caso a categoria toda pare.
O problema é de quem não nos dá estrutura nem salário pra que possamos fazer um trabalho condizente com a medida socioeducativa.
O problema é de quem tem seu cargo assegurado e pouco se importa com quem ganha mil reais por mês.
Eu vou pra greve, ao que tudo indica.
Só existem duas possibilidades de eu recuar:
1ª – a FC rever toda essa negociação, e acatar o que a categoria vem pedindo, mas de imediato. Eu não creio em palavras ou promessas. Ou é já, ou é greve.
2ª – se na Assembleia a votação for para o encerramento da greve, independente do resultado que apresentarem. Infelizmente sozinha eu não tenho força. Infelizmente eu não posso enfiar o entendimento dentro da cabeça das pessoas (não, eu não sou dona da verdade, mas neste caso, eu me dou o direito de afirmar que estou certa). Infelizmente se a minha categoria entender que somos fracos demais pra encarar esta briga, eu vou ter que recuar junto.
Independente do que aconteça, eu gostaria de anunciar a quem quiser saber, que daqui pra frente eu participarei de todas as reuniões que for possível, porque eu faço questão de trabalhar para que nós não precisemos chegar ao ponto que chegamos hoje. Se eu vou poder ajudar a mim mesma e a todos os colegas, só o tempo poderá dizer.
Pensem, reflitam, e vamos todos dar a nossa participação na próxima Assembleia.
Vamos com esperança, com educação, com respeito, com paciência, afinal, teremos que ouvir atentamente, tudo que o SITRAEMFA terá que nos passar, para só depois, decidirmos o que será feito.
Eu aprendi que não se deve ter medo quando se está lutando por algo justo.
Ameaças, boatos, punições, repressões, assédios, sempre vão existir. Cabe a cada um fazer sua denúncia, ou, quem sabe um dia, poder fazer isso através de uma denúncia coletiva aberta por um sindicato que não o SITRAEMFA, pois este, não nos representa!
É isso.
MARCIA - CASA Rio Piracicaba