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sábado, 17 de dezembro de 2011

Plantões Noturnos

O período noturno costuma ser referido como um prêmio para o agente que trabalha nele, pois além de receber o adicional noturno (um acréscimo fi nanceiro), garantido por lei, seu contato com o adolescente será
diminuído em função das poucas horas em que o menino permanece no
pátio no período da noite, uma vez que eles têm horário defi nido, por volta
das 21:30 horas, para dormir

“À noite sempre é os mais antigos, porque a noite é como se fosse um prêmio, o cara é antigo, vai indo
para a noite. Então, é uma promoçãozinha que você recebe porque eles
não dão outro meio de vida pra pessoa, não tem outros cargos... Se eu for
um cara bem visto, quiser dar aquilo como prêmio, manda ele pra noite”.
Aqui já temos um elemento importante que pode surgir em decorrência
do contato do monitor com o adolescente, ou seja, a evitação, evitar permanecer muito tempo próximo ao adolescente como um fator de proteção
à saúde. É um tipo de postura do agente perante o menino.
Assim, começamos a vislumbrar um aspecto do trabalho agente
que em geral o desgasta – a longa jornada de trabalho com o menino infrator durante o período diurno no pátio – indicando que o seu objeto de
trabalho se constitui em um fator de preocupação, de tensão, de risco para
a sua saúde ou para acidentes de trabalho. Segundo alguns agentes, as
poucas horas do agente ao lado do jovem no período noturno, “não se constituem em impedimento para o adoecimento do monitor, mas estressa bem menos”.
No período diurno, o monitor está em contato constante com o adolescente, por um período de até doze horas, e “de dia o monitor não pára, é
um caos”, podendo desde jogar dominó até ser refém destes mesmos meninos quando eles “viram a casa”

extraido do livro "monitor da febem"