A família Henriques, que mora há cerca de 20 anos ao lado do imóvel onde o abrigo socioeducativo foi colocado, deixou o bairro ontem alegando insegurança pela presença de jovens infratores no local. "Estou fugindo amedrontado da minha própria casa porque o Estado não garante segurança a um cidadão de bem", critica o professor Alexandre Henriques.
A prisão por furto de dois jovens, na quarta-feira, que estavam alocados na unidade, assustou ainda mais a família. Na manhã de ontem, um caminhão de mudança levou alguns móveis para a casa da sogra de Henriques, em um bairro da Capital, onde eles ficaram provisoriamente. "Já conseguimos aprovação de financiamento de um apartamento no banco e, assim que a papelada ficar pronta, nos mudamos em definitivo", relata o morador. Com lágrimas nos olhos, Henriques lamentou ter de deixar a residência onde vive há aproximadamente 20 anos. "Apelei à Fundação Casal, aos legislativos municipais e estaduais, e aos poderes executivos, contra a instalação da unidade aqui, mas tudo foi em vão. Agora, tenho de abandonar tudo que construí com meu trabalho", reclamou.
O Diário teve acesso a uma gravação feita pelo morador em que dois vigilantes da unidade conversavam em voz alta, segundo o vizinho. No áudio, eles dizem que também estão inseguros e têm medo de conviver com os garotos.
O muro que divide as duas casas é baixo e pelo menos três quartos do abrigo têm visão privilegiada de quase toda a residência de Henriques. "Se me dessem garantia de segurança, teria prazer em ajudar esses meninos voluntariamente. Sou professor de medicina e não teria problema em ensiná-los", afirma.
extraido do site
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