quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Autor de latrocínio é solto e gera revolta

Jovem deixa a Fundação Casa ao completar 18 anos. Depois disso, cometeu outros crimes e voltou a ser preso


Indignação e revolta. Esses são os sentimentos da família do corretor de imóveis Luiz de Toledo Mendes Pereira Filho, de 60 anos -- morto durante assalto em agosto de 2014 --, ao saber que seu assassino, na época com 17 anos de idade, ficou menos de quatro meses na Fundação Casa. O rapaz foi liberado em dezembro, ao completar 18 anos, e, desde então, se envolveu em mais dois crimes, sendo o mais recente no último domingo.
Alegando segredo de justiça, a Vara da Infância e Juventude não explica o motivo pelo qual o rapaz foi liberado em tão pouco tempo, mas, de acordo com a Promotoria da Infância e Juventude, tem sido recorrente, desde dezembro, medidas serem extintas sem manifestação do Ministério Público, em razão de o adolescente infrator alcançar a maioridade.
Os policiais civis do 8º Distrito Policial, que investigaram o crime e conseguiram o mandado de busca e apreensão -- cumprido no mesmo mês da morte do corretor --, também se surpreenderam ao saber que o autor do latrocínio (roubo seguido de morte), havia retornado às ruas tão rapidamente.
Para familiares da vítima -- que, por medo de represália, não querem se manifestar publicamente, e nem que seja indicado na reportagem o grau de parentesco --, o que fica é a sensação de insegurança, de impunidade e descrença na Justiça. Segundo afirmaram, era de se esperar que alguém que comete um crime com tamanha violência permanecesse mais tempo sem direito à liberdade.
O latrocínio aconteceu na madrugada do dia 2 de agosto, no bairro Jardim Santa Clara, quando o corretor chegava de uma festa com sua esposa às 3h30, e foi surpreendido pelo ajudante F., que anunciou o assalto e atirou, fugindo em seguida sem levar nada. Na ocasião do crime, o infrator estava acompanhado de outro rapaz, que pilotava a moto e que a havia pego emprestada de um terceiro em troca de drogas.
A equipe de investigação do 8º Distrito checou o cadastro das 250 motos amarelas existentes na cidade, até chegar à que era usada pelo adolescente infrator. O dono da moto admitiu o empréstimo e disse que a Twister 250 cilindradas foi devolvida entre 3h e 4h. A moto foi também identificada pelos refletores que tinha nas laterais, e que inclusive aparecem nas imagens captadas pelo sistema de videomonitoramento da rua onde aconteceu o crime.
A roupa, uma calça de moletom vestida pelo acusado, também foi apreendida em sua casa no dia 18 de agosto, quando foi cumprido o mandado de busca e apreensão. Na ocasião foram apreendidos também o revólver calibre 38 usado no crime, carregado com cinco cápsulas intactas, e meio tijolo de maconha.
Porém, nem mesmo as provas e a confissão do então menor de 18 anos fizeram com que sua permanência se estendesse na Fundação Casa, tendo em vista que teve a medida socioeducativa extinta no dia 10 de dezembro, ou seja, uma semana antes da sua custódia completar um mês. E a liberação teria sido motivada pelo fato de que no dia 13 de dezembro ele ingressou na maioridade.
O Cruzeiro do Sul tentou, na segunda-feira, falar com o juiz Gustavo Scaf de Molon, titular da Vara da Infância e Juventude, mas foi informado por uma atendente de que ele não se manifestaria pelo fato de que tudo que envolve adolescente corre em segredo de justiça.
Ontem, a promotora da Vara da Infância e Juventude, Ana Alice Mascarenhas Marques, afirmou que desde dezembro o Ministério Público vem percebendo que estão sendo extintas, pelo Judiciário, as medidas socioeducativas em razão da idade, e que isso vem ocorrendo sem a manifestação do Ministério Público. Diante disso, disse que a Promotoria vem recorrendo nos casos mais graves, que incluem outro episódio com participação de dois menores de 18, também envolvidos em latrocínio.
A promotora também salientou que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase) -- que regulamenta como devem ser executadas as medidas -- não determinam a liberação do adolescente infrator apenas por alcançar a maioridade, entendendo que esse não deve ser o único critério a ser avaliado para a extinção da medida.
Sobre o caso específico do corretor de imóveis assassinado, Ana Alice Marques explicou não poder dar detalhes, tendo em vista que os casos correm em segredo de Justiça, mas salientou que, como agora ele já está no sistema prisional, não seria mais possível retorná-lo à Vara da Infância e Juventude.

Sequência de crimes

Liberado da Fundação Casa em 10 de dezembro, o acusado foi flagrado num furto qualificado de veículo pouco mais de duas semanas após completar 18 anos de idade. Ele deixou o sistema prisional no último dia 29 e, três dias depois, foi novamente preso em flagrante num caso de roubo a residência e de três carros, entre Araçoiaba da Serra e Sorocaba.
Segundo os investigadores do 8º Distrito Policial, o rapaz tem um comportamento frio, sem demonstração de arrependimento, e, ainda quando adolescente, teria tido diversas passagens pela Vara da Infância e Juventude.
A reportagem apurou que de outubro de 2011, com 14 anos de idade, até janeiro de 2013, com 16 anos, ele já havia se envolvido em nove ocorrências, desde detenção para averiguação de tráfico de drogas em Tapiraí até receptação de veículos, furto de moto e tráfico, todas em Sorocaba. 
 
http://www.cruzeirodosul.inf.br/materia/592612/autor-de-latrocinio-e-solto-e-gera-revolta

PM mata agente da Funase a tiros em PE após confundi-lo com assaltante

Homicídio ocorreu nesta quarta, em oficina no município de Abreu e Lima. Vítima não resistiu aos ferimentos e morreu; policial foi conduzido ao DHPP.

A Polícia Civil investiga a morte de um agente da Fundação de Atendimento Socioeducativo (Funase) ocorrida na manhã desta quarta-feira (4), em Abreu e Lima, Grande Recife. De acordo com as investigações, uma pessoa se assustou ao ver o agente com uma arma e gritou pensando se tratar de um assaltante. 

Um sargento da PM, lotado na Rádio Patrulha, que passava pelo local, reagiu e atirou. Só depois ele descobriu que o homem armado era um funcionário da Funase.

Testemunhas informaram à polícia que viram quatro pessoas chegando dentro de um carro preto em uma oficina, situada perto do Terminal de Ônibus de Caetes 1, em Abreu e Lima. Ao ver o veículo se aproximar do local, alguém teria gritado que era um assalto. Dentro da oficina estava o sargento da PM Manoel Santos, 53 anos, que acreditou estar ocorrendo um assalto. O militar atirou contra o veículo e atingiu o agente socioeducativo Edmar Gomes Ferreira, 39 anos, que estava no banco do passageiro.

Após efetuar o disparo, o sargento teria ligado para a polícia informando o que ocorreu. Ele deixou o local e seguiu para o Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), no Recife. "Ele prontamente ligou para o Ciods [Centro Integrado de Operações de Defesa Social], informou o que tinha acontecido e se apresentou à guarnição do 17º [Batalhão], depois foi conduzido para a Delegacia de Homicídios. Primeiro, ele não sabia nem que era agente socioeducativo e eu não perguntei se a pessoa estava ou não armada, mas ele disse que a pessoa que gritou, categoricamente, afirmou que o agente estava armado, que era um assalto", relatou o sargento da Rádio Patrulha Gustavo Rodrigues.

De acordo com a perícia, a cena do crime foi modificada. "Percebemos que houve uma total descaracterização do local. A vítima, inclusive, estava em posição não adequada frente à dinâmica. O automóvel não estava na posição de origem. Sem dúvida, isso dificulta, embora a gente tenha conseguido montar uma dinâmica que dá a interpretação precisa na solução do caso", afirmou o perito Fernando Benevides.

Outro agente socioeducativo, Edvaldo Severino dos Santos, que também estava no carro, foi levado para Unidade de Pronto Atendimento de Paulista, porque teria passado mal. Não há informações sobre o estado de saúde dele.

A polícia não divulgou informações sobre a pessoa que teria gritado. O delegado Paulo Furtado espera ouvir ainda nesta quarta os envolvidos. "Informalmente, eu vou conversar com a pessoa que está UPA para colher mais informações para tentar cruzar as versões das testemunhas com a do PM para ver se há contradição. Havendo contradição por parte do PM, ele será autuado em flagrante", disse.

O corpo de Edmar Gomes Ferreira foi encaminhado para o Instituto de Medicina Legal (IML) do Recife. Ele trabalhava na Funase de Abreu e Lima.

Dez adolescentes infratores são acusados de agressão dentro de centro socioeducativo

RIO DE JANEIRO

Dez adolescentes infratores são acusados de agredir outro menor de idade dentro de uma cela do Centro de Socioeducação Dom Bosco (antigo Instituto Padre Severino), na Ilha do Governador.

De acordo com o Novo Departamento Geral de Ações Sócio Educativas (Degase), após o jantar do último domingo, os jovens, que estavam no mesmo alojamento, “realizaram um tumulto". A confusão foi controlada pelos servidores e pela direção da unidade.

Segundo o registro de ocorrência feito na 37ª DP (Ilha do Governador), quando foi até a cela, um inspetor encontrou o rapaz já ferido. O menino, que responde por ato infracional análogo ao crime de latrocínio, foi levado para o Hospital municipal Evandro Freire. Depois de liberado, ele foi transferido de unidade. Segundo o delegado José Otílio, o exame de corpo de delito da vítima e o boletim de atendimento médico do rapaz será remetido à Justiça.

De acordo com o Degase, o Dom Bosco tem atualmente 324 internos — 39% a mais da capacidade total do centro (233). Atualmente, há cerca de 1.600 adolescentes cumprindo medidas em unidades do Degase, onde ohá 1.517 vagas.

Leia, na íntegra, a nota da assessoria do Novo Degase:

O Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Novo Degase) informa que dez adolescentes em conflito com a lei da unidade de internação provisória Centro de Socioeducação Dom Bosco, na Ilha do Governador, tentaram agredir um jovem, na noite deste domingo (01/02). Após o jantar, os jovens, que estavam no mesmo alojamento, realizaram um tumulto que foi controlado, rapidamente, pelos servidores e pela direção da unidade.

A vítima foi encaminhada ao Hospital Municipal Evandro Freire, onde recebeu atendimento médico. O jovem já foi liberado e levado para outra unidade. Ressaltamos que foi realizado o registro de ocorrência na delegacia local, com o encaminhamento dos envolvidos. Os mesmos vão responder a novo processo judicial, agora com ato infracional praticado durante o cumprimento da medida socioeducativa.

Também foi iniciada uma sindicância, realizada pela Corregedoria do Departamento, para apuração dos fatos. A Coordenação de Segurança e Inteligência do Novo Degase está atuando, junto à equipe da unidade, para verificar novos fatos que podem ter levado a ocorrência, e, junto a isso, foi realizada uma revisão das ações de segurança, conforme Plano de Segurança Socioeducativa. A rotina da unidade estava normalizada já na segunda-feira.


http://oglobo.globo.com/rio/dez-adolescentes-infratores-sao-acusados-de-agressao-dentro-de-unidade-prisional-15236221

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Jovens da Fundação Casa de Ferraz continuam foragidos, diz entidade

Apenas um menor retornou; ele se entregou voluntariamente.
25 jovens continuam foragidos desde segunda-feira (2).

Jamile Santana Do G1 Mogi das Cruzes e Suzano
Sete adolescentes fugiram da Fundação Casa em Ferraz de Vasconcelos (Foto: Priscila Tovic/ TV Diário) 
Corregedoria investiga fuga de 27 jovens da unida-
de I da Fundação Casa de Ferraz.
(Foto: Priscila Tovic/ TV Diário)

Continuam foragidos na manhã desta terça-feira (3) 25 adolescentes internos da Fundação Casa de Ferraz de Vasconcelos. Segundo a entidade, 26 deles haviam fugido na manhã de segunda (2). Um dos jovens voltou voluntariamente à unidade após se machucar, segundo a Polícia Militar. 
O adolescente se feriu e procurou ajuda em uma residência próxima à Fundação Casa. O morador acionou a PM pelo 190, que foi até o local. Segundo a Fundação Casa, o menor pediu para voltar à unidade, e foi levado o prédio por um pastor. Nenhum outro adolescente foi recapturado.  
De acordo com a fundação, o local tem capacidade para 64 jovens e atualmente está com 63.
Segundo a entidade, a fuga ocorreu por volta de 12h de segunda-feira, no fim das atividades pedagógicas da manhã. As circunstâncias são investigadas pela Corregedoria Geral.
Os adolescentes que forem recapturados passarão pela Comissão de Avaliação Disciplinar (CAD) do centro socioeducativo e poderão sofrer sanções disciplinares. A CAD é formada por funcionários do próprio centro socioeducativo.

Menores tentam matar sócioeducadores em Rondônia

Menores tentam matar sócioeducadores em unidade na capital e ameaçam tocar fogo em próximo motim


O fato foi registrado no último domingo (01) na Unidade Masculina Sentenciada I, localizada na Avenida Rio de Janeiro, Bairro Lagoa, região Norte de Porto Velho, quando um grupo de menores atacou uma equipe de sócios educadores e tentou matar com golpes de barra de concretos.

Os menores atacaram as vítimas no momento que estava sendo feita uma limpeza na unidade. Um dos menores feriu um sócio educador e fez ameaças, do tipo: “Eu sei onde você mora, vou estuprar sua mulher e depois matar”.



Os menores se uniram e passaram a agredir os servidores que tiveram de pedir ajuda a Polícia Militar.



No local policiais da Forca Tática entraram no prédio e foram agredidos com pedradas. Depois de muita insistência os militares conseguiram conter os ânimos dos agressores e deram fim na rebelião. Um dos internos disse que está preparando uma rebelião e vai atear fogo em toda unidade para mostrar sua força.

Os servidores feridos foram socorridos e passam bem. O caso foi registrado na Central de Polícia.

https://www.rondoniaovivo.com/noticias/menores-tentam-matar-socios-educadores-em-unidade-na-capital-e-ameacam-tocar-fogo-em-proximo-motim/124339#.VNETMtLF91Y

Estado do Rio registra, a cada hora, uma apreensão de criança ou adolescente infrator

Em 2014, 8.380 jovens foram apreendidos, quase o triplo do número registrado em 2010: 2.806

RIO — A cada hora, uma criança ou um adolescente é levado ao Ministério Público ou ao Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Novo Degase) após cometer algum tipo de delito no estado. Em 2014, 8.380 jovens foram apreendidos, quase o triplo do número registrado em 2010: 2.806. Atualmente, cerca de 1.600 cumprem medidas socioeducativas em regime fechado no sistema de correção, que tem capacidade para receber 1.517.

INFOGRÁFICO: Veja como funciona o ciclo vicioso da criminalidade infantojuvenil no Rio clicando no Link a seguir http://infograficos.oglobo.globo.com/rio/um-verdadeiro-carrossel.html

Segundo o Novo Degase, 41,53% dos jovens recolhidos cometeram o crime de tráfico; 27,92% praticaram roubos e 13,65%, furtos; 5,23% foram flagrados armados. Os 11,67% restantes cometeram outros delitos. No ano em que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) completa um quarto de século, defensores e críticos da legislação concordam num ponto quando analisam os números: a situação só se agrava.

CENTRO INTEGRADO AINDA NÃO EXISTE

Quando entrou em vigor, em 13 de julho de 1990, o ECA (Lei 8.069) foi considerado um marco, um instrumento para a proteção integral de crianças e adolescentes. O Artigo 104 estabeleceu que “são penalmente inimputáveis os menores de 18 anos”. Porém, o mesmo artigo determina que, em situações graves, jovens podem ser internados por até três anos. Já o Artigo 88 garante a integração operacional de órgãos do Judiciário, do Ministério Público, da Defensoria Pública e das secretarias de Segurança e Assistência Social, preferencialmente em um mesmo local, para agilizar o atendimento inicial ao infrator. Mas, passados 25 anos, esse centro integrado ainda não existe no estado.

Uma pesquisa do Novo Degase mostra que só 5% dos jovens internados chegaram ao ensino médio. Nenhum conseguiu completá-lo.

— Também levantamos que 94% sequer concluíram o ensino fundamental e que quase todas as famílias dos internos têm renda igual ou inferior a dois salários mínimos — informa o diretor-geral do Novo Degase, Alexandre Azevedo de Jesus.

Segundo ele, o aumento expressivo do número de jovens ligados ao tráfico de drogas mudou o perfil dos internos e levou a um aumento da demanda. Hoje, há um déficit de 384 vagas para medidas de internação definitivas ou provisórias, “levando-se em conta a estrutura atual das unidades”.

Para o diretor do Novo Degase, a fragilidade das relações familiares, a baixa escolaridade e a ausência de políticas públicas são fatores cruciais para que os jovens voltem a praticar crimes:

— O ideal é a intensificação de ações de prevenção primária e secundária, tais como a formação de conselhos escolares integrados por parentes, alunos e docentes. É importante deixar muito claro que a maioria dos adolescentes sofre a privação de liberdade a partir dos 16 anos e que a ausência de políticas é marcante do zero aos 16 anos. Por isso, para que o jovem não volte a cometer atos infracionais, é importante que, quando cessa a medida de privação da liberdade, ele volte para a família e não encontre os mesmos fatores que o levaram a delinquir.

Azevedo de Jesus defende a ampliação das discussões sobre o aumento do tempo da medida socioeducativa, cujo limite hoje é de três anos.

— É preciso discutir variáveis que levem em consideração a idade do adolescente, ou seja, alternativas diferentes para quem tem 12 anos e para quem tem 16 ou 17 anos, e, ainda, a natureza do ato infracional cometido, não sendo assim uma mudança que afete todo o sistema, mas a parcela de adolescentes que cometem atos com violência ou grave ameaça. Nesses casos, sim, aumentaria o tempo de internação — defendeu ele, acrescentando que também é necessário um atendimento personalizado, com o envolvimento das famílias, para que o processo socioeducativo não fique apenas nas ações punitivas.

O agravamento dos casos nos últimos anos levou o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, a defender em Brasília a redução da maioridade penal. Para ele, o período de detenção deve depender da gravidade do crime praticado:

— O jovem infrator precisa sofrer as agruras da lei em cima do que fez — afirmou Beltrame em Brasília.

Para a delegada Monique Vidal, titular da 14ª DP (Leblon) — que nos fins de semana recebe vários casos de jovens apreendidos nas praias em flagrantes de furto, tráfico e roubo —, o problema continua sendo social:

— Quando (os jovens) chegam à delegacia, é o fim da história. Eles já passaram por muitas situações de risco. Um jovem que sai de casa sem dinheiro, sem documento e sem um responsável está em situação de risco. Como ele vai se alimentar? Outro dia, havia uma dúzia deles aqui e eu chamei os pais.

No caso, os pais eram trabalhadores que não tinham com quem deixar os filhos. Essa falta de apoio leva muitos jovens a ficarem vulneráveis. Com isso, afirmou a delegada, eles acabam sendo abrigados pelo tráfico de drogas, que vai explorá-los como mão de obra.

Somente nas três primeiras semanas do ano, Monique Vidal fez 14 autos de apreensão de adolescentes infratores. Foram nove casos de roubos e furtos contra pedestre, um de furto de celular, um de receptação, um de tentativa de homicídio, um de porte ilegal de armas de uso restrito e um de tráfico de drogas.

NO CENTRO, 94 DETENÇÕES EM JANEIRO

Também nas primeiras três semanas do ano, a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (responsável pelos jovens apreendidos no Centro da cidade) recebeu 94 jovens infratores.

— Não se deve confundir o fato de eles serem inimputáveis com impunidade — afirmou o delegado Roberto Gomes Nunes, titular da DPCA. — Ao contrário. Recentemente, prendemos um receptador com um adolescente. O receptador, maior de idade, conseguiu o direito de responder em liberdade. Já o adolescente está apreendido. O fato é que, quando o crime é mais elaborado, como tráfico, receptação e roubo, normalmente há um adulto envolvido, explorando o trabalho deles (menores de idade). A situação é grave e piora a cada dia, mas não acredito que, aumentando as punições, o problema se resolverá. A questão é social, e todos temos que atuar. Se um adulto vir um jovem desses em situação suspeita, de risco, pode acionar os conselhos tutelares ou mesmo a polícia, que vai encaminhá-los à família ou a um abrigo.

Nunes ressaltou que há uma concepção errada do tratamento recebido pelos jovens infratores ao serem levados para as delegacias:

— Não corresponde à realidade a ideia de que eles saem pela porta de delegacia no mesmo dia. Eles são entregues aos responsáveis. Precisamos criar condições para que a família e as instituições que cuidam deles sejam mais atraentes do que a rua.

A lei determina que o jovem, mesmo quando apreendido em flagrante, responda pelo ato em liberdade, a não ser nos casos em que haja grave ameaça ou violência contra a vítima. Nessas situações, ele é ouvido pelo Ministério Público, que propõe o procedimento penal e marca uma audiência. Sem a sentença do juiz, ele poderá passar no máximo 45 dias em internação provisória. O magistrado, em sua decisão, poderá escolher entre advertência, trabalho comunitário, liberdade assistida, semiliberdade e internação.


Fonte: OGlobo.com

http://www.correiodopovo-al.com.br/index.php/noticia/2015/02/03/estado-do-rio-registra-a-cada-hora-uma-apreensao-de-crianca-ou-adolescente-infrator

Justiça manda contratar pessoal para centros socioeducativos de BH

Ministério Público ingressou com ação questionando déficit de profissionais em oito centros de BH

SOCIO
Situação. Belo Horizonte tem nove centros, e o MPMG questiona a falta de profissionais em oito deles

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) expediu uma liminar, no último dia 23, ordenando que o Estado nomeie funcionários, entre psicólogos, assistentes sociais, agentes socioeducativos e pessoal administrativo para atuar em oito dos noves centros socioeducativos da capital em um prazo de 60 dias após a notificação. 

A ação civil pública foi proposta em novembro de 2014 pelo titular da Promotoria de Atos Infracionais da Infância e Juventude de Belo Horizonte, Márcio Rogério de Oliveira. O promotor informou que as oito unidades estão superlotadas e com déficit no quadro de pessoal. “Os centros trabalham com uma superlotação de 20%. Às vezes, um psicólogo precisa atender 30 ou 40 adolescentes”, relatou. Oliveira considera que a situação prejudica a ressocialização, e os centros “acabam parecendo prisões”.

O promotor pediu ainda que fossem nomeados funcionários adicionais. Ele não informou o total de vagas que devem ser preenchidas nos próximos dois meses. “Só para exemplificar, na época do pedido (em novembro), eram 79 vagas de agentes socioeducativos, oito de assistentes sociais, duas de psicólogos e seis de pedagogos”.

A Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) esclareceu, por meio de nota, que não havia sido notificada da decisão até a última sexta-feira. A Seds não informou o número de profissionais que fazem parte do quadro, pois “estava em levantamento”. Se não cumprir o prazo, a pasta terá que pagar uma multa diária de R$ 15 mil até a solução do caso.

Avaliação. A subcoordenadora do Centro de Apoio às Promotorias de Justiça de Defesa da Criança e do Adolescente do Ministério Público de Minas (MPMG), Paola Domingues Botelho Nazareth, disse que os centros socioeducativos passam por frequentes inspeções. Quando são detectadas irregularidades, os promotores podem ingressar com ações civis públicas. Segundo Paola, várias foram impetradas, mas ela não informou o total nem desde quando essas visitas são feitas.

“O adolescente é um ser humano em desenvolvimento. Uma intervenção nesse momento pode gerar efeitos positivos e deve ser feita por uma equipe técnica qualificada”, disse Paola.

Precariedade expõe governo e Justiça

A ausência de estrutura para o cumprimento de medidas socioeducativas gera uma desmoralização do Judiciário e do poder público, segundo o coordenador do Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Frederico Marinho. Além dessa consequência, a ressocialização e a inclusão desses menores ficam comprometidas.

Para Marinho, o adolescente precisa ser punido para entender que praticou uma contravenção. Aliado a isso, ele defende que a ressocialização só é possível por meio da inclusão que o Estado deveria oferecer. “Nos centros, eles têm acesso ao atendimento médico e à escola, o que permite a inclusão”.

Saiba mais
Outras medidas que podem ser aplicadas além da internação

Advertência: repreensão verbal feita pelo juiz

Obrigação de reparar o dano: restituição do objeto ou ressarcimento do dano

Prestação de serviços: realização de tarefas gratuitas de interesse geral

Liberdade assistida: o adolescente e sua família serão acompanhados por um profissional durante, no mínimo, seis meses

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

VINTE E SEIS INTERNOS FOGEM DA FUNDAÇÃO CASA DE FERRAZ DE VASCONCELOS

Adolescentes fogem da Fundação Casa de Ferraz, afirma entidade

Dos 63 internos, 26 conseguiram fugir da unidade I do município.
Fuga foi por volta de 12h desta segunda no fim de atividades pedagógicas.

Sete adolescentes fugiram da Fundação Casa em Ferraz de Vasconcelos (Foto: Priscila Tovic/ TV Diário)
(Foto: Priscila Tovic/ TV Diário)
A Fundação Casa investiga a fuga de 26 internos da unidade I da entidade em Ferraz de Vasconcelos (SP), que ocorreu no começo da tarde desta segunda-feira
(2).

De acordo com a fundação, o local tem capacidade para 64 jovens e atualmente estava com 63.



Segundo a entidade, a fuga ocorreu por volta de 12h, no fim das atividades pedagógicas da manhã. As circunstâncias são investigadas pela Corregedoria Geral.

Ainda de acordo com a fundação, por enquanto não há recapturas. A Polícia Militar foi acionada e realiza buscas na região.

A Fundação Casa também informou que o Judiciário e as famílias serão informadas do ocorrido. Os adolescentes que forem recapturados passarão pela Comissão de Avaliação Disciplinar (CAD) do centro socioeducativo e poderão sofrer sanções disciplinares. A CAD é formada por funcionários do próprio centro socioeducativo.


http://g1.globo.com/sp/mogi-das-cruzes-suzano/noticia/2015/02/adolescentes-fogem-da-fundacao-casa-de-ferraz-afirma-entidade.html

A tão esperada unidade de Presidente Bernardes

No oeste Paulista o "fundão do estado de São Paulo, com capacidade para mais de 100 agentes socioeducativos.

Há vários concursos não abrem vagas para está região fazendo com que candidatos que prestam o concurso da fundação  optem por outras regiões e principalmente para São Paulo, muitos desistem por causa da distância somada ao estres do trabalho socioeducativo, sabemos que não é fácil ficar longe de casa e ainda  trabalhar em casa " desandada"

Quero salientar também que por  ter  poucas industrias e o mercado de trabalho ser escasso há uma grande demanda de aprovados em concursos vindos dessa região, muitos sonham um dia voltar para junto dos familiares !


PRESIDENTE BERNARDES
A cidade é localizada no oeste paulista na região de Presidente Prudente com pouco mais de 14.000 habitantes. A distância até São Paulo é 578 km.

Próxima das  microrregiões; Adamantina, Dracena e Presidente Prudente

A unica Fundação CASA dessas regiões é a Fundação Irapuru com duas unidades T40. Que por sinal e a unidade mais concorrida para transferências com 71 inscritos.

unidades da região do oeste Paulista
Irapuru -Araçatuba - Marilia

DISTÂNCIA DE IRAPURU A MARILIA 178 km
De: Irapuru - SP Para: Marília - SP

DISTÂNCIA DE IRAPURU A ARAÇATUBA 139 km
De: Irapuru - SP Para: Araçatuba - SP

Para ser ter uma ideia a cidade de Rosana fica a 289 km de Irapuru que é a unidade mais próxima e a unica da região até o momento..

A construção desta unidade é muito aguardada por quem quer voltar para sua terra,  é também muito disputada por quem quer sair das casas desandadas ou por que não está contente com a direção de onde estão. Por está razão sugiro que se faça um critério de transferência a qual os servidores que provem residencia e que tenha familiares  tenham prioridade.

CIDADES PRÓXIMAS
Irapuru - Presidente Bernardes
Adamantina, Flora Rica, Florida Paulista, Inúbia Paulista, Irapuru, Lucélia, Mariápolis, Osvaldo Cruz, Pacaembu, Pracinha, Sagres, salmourão, Dracena, Junqueirópolis, Monte castelo, Nova Guataporanga, ouro verde, Panorama, Paulicéia, Santa Mercedes, São joão do pau d´alho, tupi paulista,
Alfredo  Marcondes, alvares Machado, anhumas, Caiabu, caiuá, Emilianópolis, estrela d´oeste, Euclides da Cunha, Iepê, Indiana, Marabá Paulista, Martinópolis   Mirante do Paranapanema, Nantes, Narandiba, Piquerobi, Pirapozinho,  Presidente Epitácio, Presidente Prudente,
Presidente Venceslau, Rancharia, Regente Feijó, Ribeirão dos Indios, Rosana,
Sandovalina, Santo Anastácio, Santo expedito, Taciba, Tarabai, Teodoro Sampaio

SE VOCÊ É DE ALGUMA DESTAS CIDADES ACIMA E PRETENDE SER TRANSFERIDO PRA PRESIDENTE BERNARDES NOS CONTATE PELO EMAIL  ronesmarciel@hotmail.com   PARA FINS DE PESQUISA.

Fotos recentes da construção do Centro socioeducativo da fundação CASA na cidade de Presidente Bernardes

 

 


A informação que tenho é que são duas unidades modelo U56 (térreo) com previsão de estar pronta até o junho com capacidades de mais de 100 agentes socioeducativos

                                                                     RONES MARCIEL
                                                                   Agente  socioeducativo
                                                     Fundação CASA - CASA rio Piracicaba


domingo, 1 de fevereiro de 2015

Vídeos flagram crianças armadas em favela com UPP na Zona Norte do Rio

Na mão direita, uma pipa colorida. Na esquerda, uma pistola — grande demais para as mãos do menino que desce uma ladeira do Barro Preto, uma das regiões mais pobres do Complexo do Lins, na Zona Norte. 

VEJA O VIDEO


Pequeno, ele anda em direção aos amigos, outros quatro garotos mirrados, que já têm suas pipas no ar. Nas cinturas, mais armas e carregadores. Nenhum aparenta mais de 15 anos.

A cena foi filmada a distância por policiais da UPP que ocupa a favela há pouco mais de um ano e faz parte de um inquérito da 26ª DP (Todos os Santos) que investiga o tráfico de drogas no Lins. A partir da análise das imagens — a que o EXTRA teve acesso —, a Polícia Civil chegou à conclusão de que, na favela, as fileiras do crime são formadas por um exército de mais de 30 garotos de 11 a 18 anos.

Nos vídeos, produzidos em cerca de seis meses de investigação, menores não têm vergonha de mostrar as armas para as câmeras e provocam policiais via radiotransmissor. Numa das imagens, dois meninos de boné escondidos atrás de uma casa atiram contra agentes na favela. Em outra, no meio da boca de fumo de uma região conhecida como Cachoeira Grande, um menino, que não aparenta ter nem 15 anos, toma “emprestado” a pistola de outro maior e a guarda na cintura. Tudo sob o olhar incrédulo dos policiais que fazem a filmagem.

— Olha só os molequinhos, todos de arma, “tudo” menorzinho — diz um dos PMs atrás da câmera — Eles têm mais arma que a gente.

A primeira fase da investigação culminou, em 18 de dezembro, com a expedição de 17 mandados de busca e apreensão de menores. Na operação Elo de Paz, 13 deles foram cumpridos, contra meninos de 15, 16 e 17 anos. Segundo o relato de um policial que participou da ação, o mais novo, surpreendido ainda na cama pelos agentes, caiu no choro enquanto era levado para a delegacia.

— Não sabíamos o motivo do choro. Quando chegou à viatura, ele falou, ainda aos soluços: “Poxa, vocês puxaram muito a minha camisa. É da Lacoste, foi cara” — afirmou.

Menos de um mês após a operação, a brincadeira de polícia e bandido acabou em tragédia: Patrick Ferreira Queiroz, de 11 anos, foi morto com um tiro de fuzil por PMs da UPP. Segundo a polícia, o garoto estava armado com uma pistola.
Segunda fase da investigação

O irmão de Patrick, um adolescente de 17 anos, foi um dos apreendidos na operação. Ele aparece numa das imagens de boné preto com uma pistola. Segundo os agentes que participaram da investigação, nos meses antes da apreensão o garoto tinha adquirido prestígio e já exercia posição de comando no grupo. Após a operação, agentes já perceberam que meninos mais novos ocupam seu lugar na quadrilha.

Com o objetivo de identificar os rostos novos — como aqueles do grupo que solta pipas com pistolas, ainda desconhecidos pelos agentes — e realizar a segunda fase da operação, um novo inquérito foi aberto. Entretanto, para policiais da UPP, a sensação é de “enxugar gelo”.

— A gente apreende um garoto e, um dia depois, aparece um ainda mais novo no lugar. É desestimulante — afirma um PM.

Paralelamente, o inquérito sobre a morte de Patrick ainda corre na delegacia. Seu pai, Daniel Pinheiro de Queiroz, já foi ouvido e negou que o filho fosse traficante.

‘O Estado precisa concorrer com o tráfico’

http://extra.globo.com/casos-de-policia/videos-flagram-criancas-armadas-em-favela-com-upp-na-zona-norte-do-rio-15181913.html