terça-feira, 15 de maio de 2012

Assassinos confessos de Demerval dos Santos podem ficar somente 6 meses presos

Fernandópolis-sp,15 de maio de 2012


O crime chocou a opinião pública pela brutalidade e frieza dos assassinos




Jornal Semanário

A elucidação do crime, que está sendo qualificado pelas autoridades competentes como latrocínio, que vitimou Demerval dos Santos, de 35 anos, começou no último dia 7, quando agentes da DISE (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes) de Fernandópolis abordou Luiz Felipe Chaves Borges, de 18 anos, no CDHU dr. Jayme Leone, próximo à casa do rapaz naquele bairro.

Os policiais civis, que já vinham investigando Luiz Felipe – com várias passagens pela Polícia por furto qualificado, tentativa de furto a residências e envolvimento com o tráfico – enquadraram o rapaz e durante revista pessoal encontraram um celular em sua posse, da marca Sony-Ericsson, de cor preta. Nada mais portanto que fosse suspeito, Luiz foi liberado.

Novamente os agentes da DISE, monitorando as ações do suspeito, abordaram o jovem, no dia seguinte, no mesmo local, e de novo, o rapaz estava com o celular em mãos. Mas, desta vez, os policiais questionaram sobre a procedência do aparelho e disseram que fariam uma rápida consulta junto à empresa de telefonia Vivo, para confirmar o proprietário daquela linha telefônica.


Luiz Felipe foi preso, ficará por alguns dias na Cadeia Pública de Votuporanga, e logo será transferido ao CDP de Rio Preto, de onde aguardará vaga para alguma Penitenciária do Estado. Já E.R. e L.S., estavam, até o fechamento desta edição, presos na Cadeia de Jales, de onde serão conduzidos a uma unidade da Fundação Casa de Tanabi, Araçatuba, Lins ou Rio Preto. L.S. era foragido na Semi-Liberdade da Fundação Casa de Fernandópolis.
O rapaz mostrou-se nervoso, e disse que o celular não era, de fato, dele, pois teria pego o aparelho “do carro do rapaz que foi morto na Estrada do Coqueiro”.

Derna, como era conhecido Demerval, fora assassinado na manhã do dia 1.º de maio. Conduzido até à sede da DISE, Luiz Felipe começou a se entregar, falando sobre o crime que cometera. Confessou o assassinato, entregando seus dois comparsas: E.R.S., de 15 anos, e L.S., de 14. Ainda no dia 8, L.S. foi localizado em sua casa, e E.R. foi encontrado na casa de familiares, onde buscava se esconder, em Valentim Gentil. Os dois menores de idade residem no Bairro Ana Luiza.




ACUSADO DEBOCHA DA SITUAÇÃO COM APOIO DA FAMILIA


O juiz Evandro Pelarin, da Vara da Infância e Juventude da Comarca de Fernandópolis, classificou o crime como “barato, cruel, absolutamente bárbaro”.


“Hoje, a Polícia e a Justiça estão empenhadas em resgatar a memória da vítima pela punição dos culpados por essa tragédia”, disse Pelarin.


O magistrado, ao saber que L.S., ao ser fotografado pela imprensa na DISE, ameaçou jornalistas, dizendo “vou pegar vocês lá fora”, era consolado pela mãe, que lhe passava a mão na cabeça, e dava risadas juntamente com o filho, declarou-se estarrecido com fatos recentes. 


“Antigamente, pais, mães, familiares e amigos tinham vergonha de chegar ao Fórum para depor em casos graves como este. Hoje, pessoas se aglomeram nos portões do Fórum para aplaudir criminosos, dar apoio a traficantes, assassinos. Estamos observando uma total inversão de valores, dos mais valiosos valores humanos”, falou Pelarin. 


L.S. e sua mãe chegaram a ser repreendidos por um investigador em meio a risadas logo após o garoto reconhecer uma foto de Derna numa homenagem de luto publicada pelo Jornal Semanário, na edição passada. L.S. e E.R. podem ficar em sistema de internação numa Fundação Casa, para cumprimento de medidas sócio-educativas por apenas 6 meses.  


“Infelizmente isso não depende de nós juízes. Não podemos determinar o tempo de internação de um menor. Pode ser de 6 meses a, no máximo, 3 anos. Isso quem decide é a própria unidade da Fundação Casa na qual o menor cumpre sua media punitiva”, concluiu dr. Evandro Pelarin.


No próximo dia 30, L.S. e E.R., bem como seus pais, serão ouvidos novamente no Fórum de Fernandópolis, em depoimentos complementares junto à Vara da Infância e Juventude.




CASO DERNA




A Policia Militar de Fernandópolis identificou o corpo encontrado em uma estrada rural de Fernandópolis no último dia 1. Demerval dos Santos que era residente na cidade vizinha, Ouroeste, teria pego o carro da cunhada e se deslocado até Fernandópolis onde foi encontrado morto no dia seguinte.

Exames iniciais da equipe de peritos da policia de Fernandópolis mostram que havia muito sangue dentro do veiculo e as marcas no local indicam que houve luta corporal dentro e fora do carro.

A vitima teria sido golpeada com o extintor até perder os sentidos. As marcas do local também indicam que o corpo fora retirado de dentro do carro e arrastado cerca de 30 metros. Próximo a cena do crime estava o carro da cunhada da vitima juntamente com inúmeras pegadas e sinais de luta corporal, demonstrando que além da vitima outras 3 pessoas estavam na cena foram localizadas e confessaram o crime

















                                                                                          extraido do site :http://www.regiaonoroeste.com/portal/materias.php?id=37931





segunda-feira, 7 de maio de 2012

Adolescentes continuam foragidos em Jundiaí

Os nove menores que conseguiram escapar da Fundação Casa, neste sábado, ainda não foram recapturados AGÊNCIA BOM DIA



Os nove adolescentes que escaparam da Fundação Casa de Jundiaí no sábado à noite continuam foragidos. Ao todo, 11 menores infratores fugiram da unidade após quebrarem uma parede que dá acesso à área externa do prédio e, em seguida, pularam o muro da instituição. Dois foram pegos minutos depois da fuga por policiais militares.

A coordenação da unidade informou que abriu sindicância para saber como os menores conseguiram quebrar o muro. Além disso, os dois recapturados serão ouvidos e podem sofrer medidas disciplinares, como não sair para atividades externas e ter o horário de visitação reduzido.

A fuga / Os adolescentes estavam sendo levados para os dormitórios por agentes quando houve uma confusão. Os agentes foram trancados num dos dormitórios.

Os 11 internos abriram um buraco embaixo de uma grade de proteção nas escadas, por onde passaram e tiveram acesso ao pátio dos fundos. Ele escalaram um muro de seis metros de altura que cerca o local e conseguiram escapar.



Relatos dos Funças

Sou funcionário da Casa Guarulhos II
Somente na semana do dia 25 a 27 abril ocorreu 2 rebeliões
25 de Abril
Periodo da noite por volta das 20hs deixando 1 funcionário machucado tomando 7 pontos no dedo, todos os adolescentes se renderam após conseguirmos retirar o refem, somente 8 adolescentes ficaram reclusos nos seus dormitórios havia 35 na rebelião.

27 de Abril
Nesta data o restante dos adolescentes foram encaminhados para o convivio, revoltados por ter sido mantido 8 adolescentes reclusos em seus dormitórios quebraram toda a área de convivencia, botaram fogo nos dormitórios, situação de calamidade mesmo, escreveram em todas as paredes PCC e até hoje continuam ameaçamdo funcionários o tempo todo.
Impressionande é o feito dos encarregados de área e encarregado da regional NADA e sim querendo já liberar todos os adolescentes para convivencia, os funcionários estão pedindo SOCORRO todo o tempo pois estamos trabalhando com 4 funcionários de dia e a noite quando esta indo 2 é muito.


Boa noite,estou escrevendo essas pequenas palavras pedindo ajuda quanto a questão da situação que nós servidores das unidades do litoral estamos vivenciando. Sou funcionário do Casa Praia Grande e não sei oque é o certo e oque é errado,a unidade está dominada pelos adolescentes,o diretor acha normal e cada ato de indisciplina que os jovens cometem a direção acha que são atos de brincadeira galinhagem,os internos estão em uso constante de drogas como também de ameaças e intimidação para com os agentes. Há um comportamento muito estranha por parte do diretor regional,estamos sendo tratados a base de gritos e tons de ameaças,ja ligamos em ouvidoria mas nada é feito. Pedimos apoio de vocês sem que seja divulgado nossas identidades a coisa aqui é pior que qualquer um possa imaginar,não temos liberdade de expressão muito menos de revindicar nossos direitos,há varios servidores adoecendo pelo tratamento que estão sendo dispensado pela direção regional e sua tribu. Agradecemos pelo apoio.

Estado pode internar além da capacidade

Desde ontem, o TJ (Tribunal de Justiça) do Estado de São Paulo, por meio do CSM (Conselho Superior de Magistratura), autoriza a Fundação Casa a ultrapassar em até 15% a capacidade total de vagas aos adolescentes nas unidades de internação de seu município. A medida, caso não seja bem fiscalizada, pode abrir precedente para superlotações, avaliam os especialistas entrevistados pelo Diário.
A situação já dá os primeiros sinais preocupantes no Grande ABC. Funcionários da unidade de Mauá, inaugurada em julho de 2006, acusam a presença de 20 adolescentes a mais no módulo de internação - a capacidade é de 40 vagas (mais 16 para internação provisória). O excedente, segundo os servidores, dorme em colchonetes no chão, em quartos, que, por vezes, alagam. Há ainda constantes boatos de rebelião e fuga.
A Fundação Casa admitiu nove adolescentes a mais. Dos 14 quartos da unidade (cada um para quatro meninos), em nove existe um interno a mais. Segundo a instituição estadual, o quadro não se traduz em situação desumana ou degradantes nem mesmo em superlotação.
Nos últimos anos, a Fundação Casa tem construído unidades descentralizadas e compactas - com capacidade para 56 vagas. Com os até 15% admitidos "excepcionalmente" pelo TJ, no artigo 7, parágrafo único, do Provimento 1.962/12, publicado ontem no Diário da Justiça, o limite chegará a mais oito jovens. No caso de Mauá, por exemplo, nos números apresentados pela entidade, o excedente já seria de um a mais ao limite estabelecido.
Para o vice-presidente da Comissão Especial da Criança e do Adolescente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e coordenador do Criança Prioridade 1, Grupo de Trabalho do Consórcio Intermunicipal, Ariel de Castro Alves, a nova legislação pode abrir precedentes não favoráveis ao trabalho de reintegração dos adolescentes. "O problema é que as exceções se tornam regras. Se trabalha sempre no limite", afirmou.
Opinião compartilhada por Leila Spoton, coordenadora do Núcleo da Infância e da Juventude da Defensoria Pública do Estado de São Paulo. "É uma situação que nos preocupa, afinal a tendência é aumentar o número de internos", apontou.
Em Araraquara, cidade do interior paulista, a Defensoria Pública tem ação civil pública contra o Estado. Ali, a unidade tem capacidade para 88 adolescentes - hoje está com 99. "O TJ reconhece que há muitos adolescentes hoje internados, mas agora vai de encontro ao que determina o próprio Conanda (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente)", afirmou Leila, com o aval de Ariel.
Em São Bernardo, que possui dois prédios de internação - cada um com 56 vagas, a Fundação Casa informou que em unidade está hoje com 51 jovens; a outra, com 59. No Estado, são 8.120 internos.

Para Estado, há excesso de internações desnecessárias

Para a Fundação Casa, há atualmente excesso de internações desnecessárias pelo Poder Judiciário, principalmente de jovens primários apreendidos por tráfico de drogas, que provocam o esgotamento do sistema.
Não é esse o mesmo entendimento do juiz da Vara da Infância e da Juventude da Comarca de São Bernardo, Luiz Carlos Ditommaso. "A não internação para o tráfico de drogas de adolescente primário é regra geral, mas não absoluta", defendeu.
Em reportagem do dia 12, o Diário registrou que o tráfico de drogas tem sido a principal causa de internação do adolescente infrator da região, juntamente do roubo qualificado. "Não basta apenas o infrator ser primário, mas um conjunto de fatores para colocarmos o adolescente em cumprimento de medida socioeducativa em meio aberto (liberdade assistida ou prestação de serviços à comunidade)", avaliou Ditommaso, que há 28 anos atua na área.
O juiz se surpreendeu com a queda de 30% de adolescentes que deram entrada na Fundação Casa, de 2009 a 2011, segundo levantamento da entidade estadual e divulgado na mesma edição do Diário. Em São Bernardo, município onde atua, Ditommaso disse não ter sentido a redução.
"Não trabalho com estatísticas, mas com julgamentos. Em meados de março, em uma única semana (segunda a sexta-feira), por exemplo, tivemos 26 adolescentes apreendidos em flagrante", contou - em geral são entre três e dez. Naquele dia, o magistrado tinha 61 custodiados no aguardo de uma decisão - desses, 39 por tráfico de drogas.

Fuga casa Arujá


Menores se rebelam e 14 escapam de unidade da Fundação Casa em Arujá

Diário de Suzano ed.: 9172 - 10 de abril de 2012
Um grupo formado por 14 adolescentes fugiu, na noite do último domingo, da Fundação Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente (Casa) de Arujá. O bando utilizou a porta de um banheiro para fazer um buraco em uma parede da instituição. O caso, que foi registrado na Delegacia de Polícia da cidade como dano e ato infracional, também será apurado pela corregedoria da instituição.
De acordo com o registro policial, por volta das 21 horas, diversos adolescentes iniciaram um tumulto no interior da Fundação Casa de Arujá - localizada na Rua Valdomiro Luiz Coutinho, no Jardim São Bento. O grupo começou a quebrar diversos objetos e arrancou a porta de um dos banheiros do local.
Em depoimento à polícia, Dorival Cardoso de Lima, de 58 anos, diretor da instituição, relatou que o grupo - formado por adolescentes com idades de 13 a 18 anos - utilizou o objeto para abrir um buraco em uma das paredes da fundação.
Em seguida, eles utilizaram o orifício para acessar uma quadra de esportes, escalaram um alambrado e fugiram, após pular os muros da instituição.
Dos 14 menores que escaparam do local, quatro já completaram 18 anos.
NÚMEROS Ao todo, 14 dos 56 adolescentes infratores que estão apreendidos no local conseguiram escapar.
O DS apurou que membros da corregedoria da instituição não descartam a possibilidade de que a fuga tenha sido facilitada por funcionários.
A suspeita surgiu depois da constatação de que, durante a ação dos menores, ninguém ficou ferido. O que, aparentemente, comprovaria a ausência de confronto de funcionários responsáveis pela segurança do local.
BUSCAS Após o incidente, a Polícia Militar (PM) fez buscas, nas imediações do bairro. Entretanto, nenhum menor foi recapturado até o fechamento dessa edição.Fuga

Tumulto Fundação casa São Carlos

Segundo agentes de segurança, internos promoveram quebra-quebra na unidade.




Fundação Casa de São Carlos começou a funcionar em São Carlos no começo de 2010.
A unidade foi construida pelo Governo do Estado de São Paulo.
Internos da Fundação Casa de São Carlos teriam provocado um tumulto no final da noite desta terça-feira (1).
Segundo agentes de segurança da unidade que entraram em contato com a redação do São Carlos Agora e não quiseram se identificar, os adolescentes danificaram vários setores do prédio, inclusive privadas e encanamentos dos quartos.
Segundo um dos funcionários, eles quebraram algumas portas e arremessaram objetos contra os mesmos. Também houve ameaças de morte e futuras retaliações, segundo os agentes.
Um dos funcionários disse que foi necessária a intervenção de um grupo especial, conhecido como “choquinho”, da cidade de Ribeirão Preto. Essa informação não foi confirmada pela assessoria de imprensa da fundação.

Segundo o agente, o tumulto só acabou por volta das 5h desta quarta-feira. Com medo de ser identificado e sofrer represálias, ele diz: “A unidade não oferece segurança para os agentes trabalharem, bem como não temos respaldo da instituição e nem do poder judiciário. Pedimos para o poder público ajuda e socorro antes que algum funcionário perca a vida.”

Nós entramos com a assessoria de imprensa da Fundação Casa durante a manhã e fomos informados que apenas privadas foram danificadas e o tumulto foi rapidamente controlado.
Reclamações
Em outras oportunidades o SCA mostrou denúncias de agentes que pedem mais seguranças. Eles relataram tumultos e ameaças parecidos com os que teriam acontecido nesta terça-feira.



A SEGURANÇA PEDE SOCORRO !!!!

http://www.saocarlosagora.com.br/policia/noticia/2012/05/02/29422/fundacao-casa-registra-novo-tumulto/

11 adolescentes fogem da Fundação Casa de Jundiaí

Menores quebraram uma parede e pularam o muro de 6 metros da instituição; dois foram recapturados


Onze adolescentes fugiram na noite de sábado (5) da Fundação Casa de Jundiaí, no bairro do Corrupira. Dois deles foram recapturados pela Polícia Militar logo após a fuga. Até o final da tarde de domingo (6), os outros nove não haviam sido localizados.


Segundo nota da assessoria de imprensa da Fundação Casa, a fuga aconteceu por volta das 22h, quando os adolescentes estavam se dirigindo aos dormitórios, monitorados por agentes sócio-educativos.


Fuga / Em determinado momento, os 11 internos correram pelo local e quebraram uma das janelas do corredor que dá acesso aos quartos. Eles usaram o ferro da janela quebrada para abrir um buraco na parede que dá acesso a área externa da instituição.


Em seguida, os 11 pularam o muro de seis metros de altura que conta ainda com alambrado de cerca de um metro. Os menores fugiram do local e correram em direção ao matagal que fica em volta da unidade. Segundo a assessoria, nenhum agente ficou ferido durante a ação.


A polícia foi avisada e localizou dois menores nas proximidades da rodovia Vereador Geraldo Dias. Ainda de acordo com a assessoria, logo após a fuga a equipe da Corregedoria da Fundação Casa abriu uma sindicância para apurar as circunstâncias.


Últimas rebeliões e fugas
Em setembro do ano passado, 40 dos 54 internos da Fundação Casa de Jundiaí provocaram uma rebelião. Seis funcionários ficaram feridos na ocasião. Em julho de 2011, três menores pularam o muro e um deles ficou preso no arame farpado, sendo recapturado. Três meses antes, outros quatro adolescentes escaparam pulando o muro da instituição, mas todos foram presos em seguida.


56 é a capacidade da unidade, que abrigava 51 adolescentes até a fuga.

sábado, 5 de maio de 2012

Descaso na Fundação Casa em São Paulo torna atendimento socioeducativo inviável

De acordo com sindicato, governo encobriu 41 rebeliões em 2011. Este ano já foram 14 São Paulo – Jovens infratores fumam maconha e atendem seus celulares com a tranquilidade de quem está em casa. Infratores tomam cafezinho livremente e se os ânimos ficam acirrados chegam bolos para acalmar a moçada. A cena não é de filme. Segundo trabalhadores da Fundação Casa (Fundação Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente, ex-Febem), esse é o dia a dia nos pátios da entidade, que tem unidades em todo o estado de São Paulo. “Não existe segurança nenhuma nas unidades. Quem controla são os adolescentes”, disse Benedito (os nomes dos entrevistados alterados a pedido dos trabalhadores, assim como os locais onde trabalham), funcionário da entidade . Apesar de haver registro formal das atividades socioeducativas, em diversas unidades elas ficam só no papel. “É para aparentar normalidade”, denuncia Benedito, citando um exemplo de ocorrências corriqueiras no dia a dia da instituição. “Esta semana adolescentes acuaram professores, tomaram materiais e colocaram todos para fora das salas de aula." Além de controlar o acesso de funcionários às dependências da fundação, os jovens - que na teoria cumprem medidas socioeducativas - também controlam quais internos terão atendimento médico e quais receberão remédios. Idas ao pronto-socorro à noite frequentemente são utilizadas para fuga. Principalmente nesses casos os adolescentes escolhem quem será 'atendido'. “O trabalhador é refém dos garotos. Coordenadores de várias unidades pediram afastamento e há locais sem nenhuma mulher, porque abandonaram tudo... elas têm medo”, disparou o funcionário. “Em uma unidade, eles fumam maconha e há poucos dias eles cismaram com as refeições e jogaram leite e pães pela janela. Virou um tapete de pães esparramados. Não tem disciplina, nada”, descreveu Benedito. Em outro episódio recente, o funcionário citou que os menores atearam fogo em uma ala, fizeram um refém que acabou hospitalizado, mas em nenhum momento a polícia foi acionada para conter a violência. "O que aconteceu é que, para acalmar, trouxeram dois bolos enormes para servir a eles.” De acordo com Geraldo, também funcionário da Fundação Casa, além de os trabalhadores estarem sujeitos a “condições penosas de trabalho”, o número é insuficiente. “É muito comum haver afastamento por depressão ou os profissionais prestarem outros concursos e deixarem os cargos.” A falta de funcionários dificulta a organização do trabalho, diz Geraldo. Regras de atendimento aos menores estipuladas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) não são cumpridas. “Há parâmetros para a separação dos adolescentes no artigo 123 do ECA, por critérios de idade, compleição física e gravidade da infração. Mas infelizmente isso não é feito a contento”, alerta. “Nessas condições, sofrem todos: trabalhadores e assistidos.” Meninos com problemas mentais ou “mais simples” são constantemente molestados pelos adolescentes mais velhos, observou o trabalhador. “Há unidades em que quatro funcionários cuidam de 66 adolescentes, quando o ideal seriam 15 funcionários”, estima Benedito. “Tem homicida misturado com menino que cometeu pequenos furtos. Há estupros aqui dentro, e tudo é camuflado. A gente acaba levando adolescente sangrando para ser hospitalizado e tudo é camuflado”, relata. Segundo Julio Alves, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Entidades de Assistência e Educação à Criança ao Adolescente e à Família do Estado de São Paulo (Sitraemfa), as medidas socioeducativas ficaram de lado. Com o número insuficiente de trabalhadores, o que se consegue “é evitar o pior, que um menor mate o outro”. Em 2011, o Sitraemfa contabilizou e denunciou ao Ministério Público do Trabalho (MPT) e à Corregedoria da Infância e Juventude quarenta e uma rebeliões. Este ano já ocorreram 14 levantes de menores, com 17 trabalhadores agredidos. “Em uma delas um trabalhador levou uma enxadada na cabeça que rendeu-lhe 17 pontos”, conta Benedito. Há registros de servidor com traumatismo craniano provocado por pauladas desferidas por internos; outro que apanhou com cabos de vassoura e um que teve o pescoço furado. Diante dos casos, o MPT deu início a uma ação civil pública para apurar as denúncias. Uma audiência está marcada para 19 de abril. A página da Fundação Casa na internet informa que o objetivo da instituição, vinculada à Secretaria de Estado da Justiça e da Defesa da Cidadania, é “aplicar medidas socioeducativas de acordo com as diretrizes e normas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e no Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase)”. A entidade presta assistência a jovens de 12 a 21 anos incompletos em todo o estado, inseridos em medidas socioeducativas com privação de liberdade (internação) e semiliberdade. De acordo com o Sitraemfa, atualmente há em torno de 8.200 adolescentes internados no estado de São Paulo. O quadro total é de 12 mil trabalhadores. Mas há mais de 1,4 mil trabalhadores afastados devido a questões de saúde física e mental causadas pelas condições de trabalho. O atendimento direto é feito por 6 mil, quando o ideal seria 10 mil – levando-se em conta que há três turnos de trabalho. Traficantes e mediadores Em uma das unidades, Benedito afirmou que traficantes da região foram chamados para negociar o fim de uma rebelião com os internos. “Bandidos descem para tomar café dentro da unidade, porque foi um acordo que o diretor tinha firmado para que eles conseguissem mediar o fim de rebelião com os adolescentes.” Os jovens exigiam liberdade para o consumo de maconha nas unidades da antiga Febem e permissão para visita íntima. “Eles dizem que são homens”, comentou. A insegurança diária a que os trabalhadores são expostos tem levado uma parcela deles ao afastamento das atividades e até à reprodução da violência que presenciam diariamente, acredita Benedito. “Recentemente, um desses pais de família teve um surto e colocou fogo no próprio carro. Ele fica tão sobrecarregado quando sai daqui...”, justifica. Segundo ele, é preocupante o índice de trabalhadores que são usuários de álcool e drogas por conta da sobrecarga, da injustiça, da impossibilidade de fazer algo. “Cada vez que ele passa a porta aqui, ele é refém... Está indo para um matadouro. É uma fábrica de sadismo”, define Benedito.



 Por: Suzana Vier, Rede Brasil Atual Publicado em 21/03/2012, 12:28




Juíza aplica medida socioeducativa para adolescentes que mataram médica

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Jovem agride e cospe no rosto de policial

Ele é foragido da Fundação Casa e cumpre sanção por tráfico de drogas, desacato, motim e danos




Um jovem de 18 anos foi detido na noite desta segunda-feira (30) por policiais militares, no São Camilo, em Jundiaí. Ele disse que voltava de uma festa onde comemorou seu aniversário e teria ingerido bebida alcoólica e consumido cocaína, confirmando ainda ser foragido da Fundação Casa.

Ao conversar com o pai do rapaz, os PMs explicaram que teriam de levar o jovem à delegacia. Neste momento, ele se revoltou, agrediu os PMs, chegou a cuspir no rosto de um dos oficiais. Os PMs conseguiram contê-lo.

No local foi feito contato com um funcionário da Fundação e foi constatado que o jovem cumpria medida em semi-liberdade, mas não voltou à instituição como o determinado. 

O jovem registra três atos infracionais, dois em fevereiro sendo um por tráfico e outro por desacato, motim e danos na Fundação -  e um em março por tráfico e formação de quadrilha.